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Exposição em Londres faz "viagem" fotográfica por conflitos armados

© SLUB Dresden / Deutsche Fotothek / Richard Peter
Cidade alemã de Dresden depois de bombardeio dos aliados, em 1945 Imagem: © SLUB Dresden / Deutsche Fotothek / Richard Peter

Rebeca Ruiz

26/11/2014 06h09

A Tate Modern de Londres apresentou ontem a exposição "Conflict, Time, Photography" (Conflito, Tempo, Fotografia), uma intensa e comovente viagem pelos últimos 150 anos de conflitos armados, mostrada através de imagens captadas por diversos fotógrafos.

A exposição, que estará aberta ao público a partir desta quarta-feira e até o dia 15 de março de 2015, reúne 60 projetos de 50 fotógrafos e coincide com os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial.

O centenário "é um momento muito importante para se refletir como foi a guerra e sobre o significado desse conflito hoje em dia", disse à Agência Efe o curador da exposição, Simon Baker. Segundo ele, a mostra busca ressaltar as consequências das guerras.

Localizada em uma ampla galeria da Tate Modern, museu de referência na arte contemporânea, a exposição é ordenada de acordo com o momento em que as fotografias foram tiradas nos conflitos ilustrados, começando por segundos ou minutos depois do fato e continuando com dias, meses, anos ou décadas.

O tour começa com uma grande foto tirada em 2006, segundos depois da explosão de uma bomba no Iraque, durante o conflito com a coalizão liderada pelos Estados Unidos.

A última sala da exposição reúne imagens de fotógrafos de países como Alemanha, Síria, Polônia e Reino Unido, que fazem uma reflexão sobre a Primeira Guerra Mundial um século após o início do conflito.

As diversas salas da galeria expõem imagens captadas sete meses após o término da Guerra do Golfo e, um pouco mais adiante, cenários do Vietnã 25 anos depois da queda de Saigon.

"Essa mostra agrupa os conflitos armados do mundo inteiro em 150 anos até o momento atual, e o conflito mais recente que aparece é a revolução na Líbia", explicou Baker.

Esta maneira inovadora de representar a passagem do tempo e os efeitos dos conflitos oferece aos visitantes a oportunidade de entender as guerras um dia ou 100 anos depois que ocorreram. Tudo isso graças à perspectiva dos fotógrafos.

A mostra conta com fotos de 2007, após a Guerra Civil Angolana, o conflito mais longo da África (1975-2002), e dos vestígios da Segunda Guerra Mundial, 16 anos depois do término.

O tour pelas imagens reflete o trauma imediato da guerra visto pelas lentes do fotógrafo britânico Don McCullin e a destruição de edifícios e paisagens no conflito do Afeganistão.

A Segunda Guerra Mundial é mostrada em diferentes fotografias, como as da Toca do Lobo (quartel-general de Adolf Hitler), do polonês Jerzy Lewczynski, e as de objetos achados em Nagasaki, do japonês Shomei Tomatsu.

Também é possível ver como era a cidade de Hiroshima nos anos 60, as paisagens urbanas de Berlim captadas pelas lentes de Michael Schmidt em 1980 e as imagens das paredes das celas de um campo de concentração no País de Gales, registradas por Nick Waplington em 1993.

Dividida em 11 salas, as fotos expostas na galeria simbolizam conflitos de todo o mundo, "da Europa até a Ásia, a África ou a América Latina", disse Baker.

No fim da exposição há uma sala especial organizada pelo Arquivo do Conflito Moderno, um acervo de fotografias de guerra acompanhado por folhas de jornais antigos.

Nesse espaço, o visitante pode voltar à época dos conflitos através de imagens de soldados na frente de batalha, mobílias e livros antigos, uniformes de fuzileiros navais e outros objetos relacionados às guerras.

A exposição da Tate Modern mostra os efeitos das guerras e como elas são vivenciadas no momento em que ocorrem, meses depois e a longo prazo, com feridas ainda abertas nas famílias e danos nos edifícios, nas paisagens e no olhar das pessoas.

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