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Berlim transforma sombra do muro em farol para o turismo

08/11/2014 06h03

Andrés Dulanto Scott.

Berlim, 8 nov (EFE).- A capital da Alemanha é exemplo de como é possível conseguir transformar uma das páginas mais obscuras da história do século XX em ponto turístico e elemento genuíno da cidade, teoria provada por Berlim no 25º aniversário da queda do muro que partiu a cidade ao meio e dividiu milhares de famílias berlinenses.

Ao olhar para Berlim hoje com os olhos de turista, monumentos e lugares como a Ilha dos Museus, a catedral, a torre de televisão, a Alexanderplatz e os destroços do muro ganham uma perspectiva histórica especial, apesar de o Portão de Brandemburgo ser protagonista e testemunha de muitos dos episódios que marcam e explicam a história europeia do século XX.

Este é um dos motivos para a avalanche de visitantes que foram a Berlim não só para contemplar sua arquitetura e conhecer suas atrações turísticas, mas também para conhecer de primeira mão como e onde se assinou o final de um dos ferimentos mais profundos do coração da Europa.

Fontes do setor turístico de Berlim estimam que cerca de dois milhões de turistas visitarão a capital alemã no próximo fim de semana para participar dos eventos de celebração da queda do muro.

Em 2013 Berlim bateu o recorde do número de turistas, com quase 30 milhões de diárias de hotel e 11,3 milhões de turistas, consolidando sua posição como "destino top 3 da Europa, atrás de Londres e Paris", destacaram representantes da organização municipal que administra o turismo da cidade, "Visit Berlim".

Entre janeiro e agosto a cidade já tinha registrado 7,8 milhões de turistas (4% a mais que no mesmo período de 2013) e quase 19 milhões de pernoites (6% a mais). Com os incrementos registrados nos últimos meses ligados ao aniversário, "a expectativa é superar amplamente o recorde de 2013", destacou a porta-voz da organização, Christian Tanzler.

Tanzler explicou que após a Segunda Guerra Mundial muitas das joias turístico-históricas foram reconstruídas, sempre sob a premissa de combinar e manter um balanço entre o desenvolvimento de uma cidade moderna e a lembrança e evolução de um "período obscuro" e do muro que "os habitantes da cidade conviveram por mais de 28 anos".

O monumento ao muro em Bernauer Strasse e o trecho grafitado que se transformou na East Side Gallery são "bons exemplos" de como foi possível combinar a eliminação do muro da vida cotidiana dos cidadãos com a celebração de uma parte da história, ressaltou Tanzler.

Os mesmos guias turísticos que narram histórias sobre os anos de esplendor e a intensa vida noturna de Berlim (sua queda, o renascer, a volta à escuridão e sua última reconstrução) comentam que em setembro e outubro, e especialmente na primeira semana de novembro, o "turismo interno alemão" aumentou consideravelmente.

O diretor-geral da Vive Berlim Tours, Blas Urioste, contou à Efe que o número de visitas de grupos escolares a Berlim devido ao aniversário aumentou e que demonstram muita curiosidade pelos cenários de eventos, desfiles e discursos presidenciais históricos (como os de John F. Kennedy e de Ronald Reagan).

Partes dos 155 quilômetros que de 1961 até 1989 testemunharam a morte de mais de 130 alemães que tentaram atravessá-lo na cidade, são agora elementos de "decoração" em uma Berlim que continua crescendo e se transformando sem esquecer do pesadelo do qual despertou há 25 anos.

A parte leste do muro vale ser visitada não só pelos museus, igrejas e monumentos (a grande maioria reconstruída nas últimas décadas), mas pelas histórias dignas de romances de espionagem, de amor, de tragédias, de heroísmo ou de sobrevivência vividas sob o jugo do martelo e o compasso da República Democrática Alemã (RDA).

Os dez primeiros países que visitam Berlim são: Reino Unido (305 mil), Itália (211 mil), Holanda (189 mil), Espanha e França (150 mil), Dinamarca, Suíça, Rússia, Suécia e Áustria.

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