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Estação Central da primeira ferrovia da América do Sul completa 150 anos

24/07/2014 18h37

Assunção, 24 jul (EFE).- A Estação Central de Assunção completa nesta quinta-feira 150 anos desde sua construção, quando tomou a vanguarda do continente com o primeiro serviço ferroviário de passageiros da América do Sul, refletida também em seu descomunal edifício em estilo neogótico, agora transformado em museu.

A estrutura, um complexo que chama a atenção em uma cidade com poucas joias arquitetônicas, é memória da época de sucesso econômico do Paraguai, sucesso que foi sumindo à medida em que a ferrovia era construída.

As obras, do arquiteto britânico Alonso Taylor e do italiano Alejandro Ravizza, terminaram em 1864, e há alguns anos se tornaram museu temático. Estar dentro de seus muros e torres é uma viagem no tempo, por causas das esplêndidas plataformas e dos trilhos velhos onde descansa a principal relíquia da estação: a locomotiva a vapor que inaugurou a grande aventura da ferrovia paraguaia.

Batizada com o nome de Assunção, a máquina ficou conhecida pelos paraguaios como Sapucay ('grito', em Guarani), por conta do estrondoso apito até então desconhecido pelos locais.

"Ela foi fabricada em 1854 no Reino Unido. Em 21 de outubro de 1861 fez seu primeiro trajeto até o Jardim Botânico, onde o presidente tinha uma mansão", contou à Agência Efe Guillermo Soria, responsável pelo museu.

O sonho ferroviário do presidente Carlos Antonio López foi seguido por seu filho e sucessor, o controverso marechal Francisco Solano López, que em 24 de julho de 1864, em seu 37º aniversário, inaugurou a nova estação. Com o país comandado por um homem que ambicionava a modernização do Paraguai, a rota ferroviária se estendeu até a cidade de Paraguari, um trecho de 72 quilômetros que era percorrido em quatro horas.

O avanço do "cavalo de ferro guarani" foi interrompido com a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), que destruiu a economia do país e provocou a morte de milhares de paraguaios, entre eles o próprio Francisco Solano López.

"Após a guerra, o serviço foi privatizado e comprado por uma empresa britânica, passou a se chamar Railway Central Paraguai, ou Ferrovia Central do Paraguai", contou Soria.

Foi pelas mãos britânicas que a Estação Central de Assunção adquiriu categoria de primeira classe: nela viajavam os passageiros ricos com destino a San Bernardino, perto do Lago Ypacaraí, e os homens de negócios que iam para Buenos Aires.

Um ano antes, a companhia tinha encomendado o projeto de um de seus vagões mais luxuosos destinado para uso exclusivo dos presidentes paraguaios, que é outra das atrações do museu. O interior do vagão, que hoje será aberto ao público em comemoração a aniversário da estação, mostra o conforto com que viajaram, de 1910 até 1999, os presidentes paraguaios.

O museu também surpreende o visitante com mais de 500 objetos que mostram um século e meio de história, e que vão das antigas máquinas de telégrafo e das primitivas lanternas a querosene aos telefones e geradores de eletricidade.

"O museu tem um enorme valor emocional. A ferrovia está inserida no DNA paraguaio porque representa a época do auge econômico do país", explicou à Efe Roberto Salinas, presidente de Ferrovias do Paraguai.

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