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Livro reúne Bogart Pacino e Bardem, inesquecíveis imagens do cinema noir

17/07/2014 10h03

Alicia García de Francisco.

Madri, 17 jul (EFE).- A impassibilidade de Humprey Bogart, a espetacular frieza de Barbara Stanwyck, um Al Pacino cheio de sangue ou o inenarrável penteado de Javier Bardem são algumas das imagens que o cinema noir presenteou o espectador e que agora estão reunidas em um espetacular volume que homenageia o gênero.

"Film Noir: 100 All-Time Favorites" é o livro editado pela Taschen que começa nos filmes mudos franceses e alemães que foram os pioneiros de um gênero que na realidade não o é, ou pelo menos é isso que defende o diretor Paul Schrader, roteirista de títulos como "Operação Yakuza" (1974) e "Taxi Driver" (1976).

"O noir não se define por convenções de contexto e conflito, como ocorre no 'western' ou nos filmes de gângsteres, mas por aspectos bem mais sutis de tom e ambientação. Um filme é considerado cinema noir (negro, em francês) em contraposição às possíveis variantes de cinema cinza ou cinema branco", afirmou o diretor no livro.

Uma definição tão ampla e ambígua que permite incluir nessa denominação filmes tão diferentes como "O gabinete do doutor Caligari" (1920), "Sonho de Moça" (1938), "À Meia Luz" (1940), "Pacto de Sangue" (1944), "Interlúdio" (1946), "Crepúsculo dos Deuses" (1950), "Cabo do Medo" (1991), "Blade Runner", "Los Angeles - Cidade Proibida" (1997), "Onde os Fracos não Têm Vez" (2007) e "Cisne Negro" (2010).

São algumas das cem obras analisadas no livro, publicado em espanhol, inglês, alemão e francês e que em suas 688 páginas faz o percurso completo pelos diferentes períodos de um tipo de cinema que encontrou sua forma de expressão nos jogos de luzes e sombras, tanto físicos como psicológicos.

São elementos que, junto com os jogos de focos, dão peso às complexas tramas em que nada é o que parece e, junto com um estilo narrativo claramente subjetivo, provocam suspense e a insegurança no espectador, como descreveu com precisão Jürgen Müller, um dos editores do livro - o outro é Paul Duncan.

É nesse jogo, no qual os fãs do gênero entram sem medo, em que se desenvolve em profundidade um estilo infestado de estereótipos e de elementos repetitivos: detetives duros e pequenos perdedores, amores impossíveis, traições e espetaculares confrontos.

O que não impede que ao longo dos anos estes filmes tenham ganhado um espaço importante dentro do mundo do cinema e que continuem tendo maravilhosos exemplos de até onde esse gênero pode chegar, como "Fargo" (1996), "Los Angeles - Cidade Proibida", "Hana-Bi - Fogos de Artifício" (1997), "Os Infiltrados" (2006) e "Drive" (2011).

E há uma série de filmes inspirados em histórias em quadrinhos, como "Watchmen" (2008) e o "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008), que introduzem efeitos digitais normalmente ausentes no noir, como a captura de movimento, o rotoscópio interpolado e os últimos avanços na animação aplicados ao cinema de ação.

Mas essa modernidade não impede que o cinema noir continue sendo tão local como global, uma de suas principais características, e que os filmes se baseiem em tradições culturais autóctones, como destacou no livro o escritor especializado em cinema Douglas Keesey.

"Como no cinema noir clássico, o novo cinema noir nos mergulha na escuridão para que sejamos capazes de ver a luz", afirma Keesey ao falar de um gênero que encontrou sua maior expressividade no preto e branco, mas que soube se adaptar a cor.

Uma evolução refletida em um volume editado com um grande preciosismo e que recolhe, com evidente amor pelo gênero, uma exaustiva série de imagens de muitos dos filmes que marcaram a história do cinema noir.

Além de descrições de uma centena de títulos, o livro contém depoimentos de diretores e atores e críticas publicadas nas estreias por prestigiados meios de comunicação.

Um detalhado percurso por um cinema que, nas palavras de Schrader, "oferece aos analistas um reduto de filmes excelentes e pouco conhecidos, e brinda aos críticos amantes do cinema autoral a oportunidade de criarem novas dúvidas de classificação e estilo transdirecional".

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