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Onde estará a Monalisa de verdade? Um enigma que só o DNA esclarecerá

06/05/2014 06h00

Laura Serrano-Conde.

Roma, 6 mai (EFE).- O mistério que rodeia o corpo de Lisa Gherardini, a modelo imortalizada por Leonardo da Vinci como Monalisa, pode ser resolvido 600 anos após sua morte, se a análise de DNA que legistas e antropólogos realizam em restos ósseos confirmar serem desta nobre que viveu em Florença.

"Uma equipe de especialistas trabalha no DNA de uma mulher que poderia ser Lisa Gherardini", explicou à Agência Efe Silvano Vinceti, presidente do Comitê Italiano para Avaliação de Bens Históricos, Culturais e Ambientais.

O paradeiro do corpo de Lisa Gherardini di Giocondo é um dos segredos mais bem guardados da história da arte, já que nem historiadores nem antropólogos legistas conseguiram esclarecer onde se encontra a musa de Da Vinci, morta, segundo documentos da época, em 1542.

Sabe-se que foi enterrada no convento de Santa Úrsula, em Florença, pois há documentos escritos pelo pároco da igreja que confirmam o sepultamento.

"Isto é certo, Lisa Gherardini foi enterrada ali, mas em meados de século XVI a igreja sofreu uma remodelação", lembrou Vinceti, que explicou que foi então que se perdeu sua pista.

Mas as investigações, iniciadas há dois anos pelo Comitê Italiano para Avaliação de Bens Históricos, Culturais e Ambientais, para encontrar o lugar no qual repousa um dos rostos mais famosos do mundo, estão chegando na fase final.

Há dois anos, cientistas do comitê presidido por Vinceti desenterraram o esqueleto de uma mulher contemporânea de Lisa Gherardini.

Para sua identificação foi aberta em agosto de 2013 a Capela dos Mártires na basílica da Santíssima Anunciação de Florença, onde está enterrada a família de Gherardini.

"Do sepulcro foram extraídos restos de seu marido, o comerciante florentino Francesco do Giocondo e de um de seus cinco filhos, Piero, além de Bartolomeo, outro filho, fruto do primeiro casamento de Giocondo", explicou.

Desde então os corpos foram submetidos a vários exames para determinar se verdadeiramente pertencem à família Giocondo, já que a capela foi vendida a outra família no século XVIII.

Os resultados foram positivos, e agora, o segredo parece estar a ponto de ser revelado, pois uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bolonha (cidade) comparou o DNA dos restos ósseos achados em Santa Úrsula com o dos familiares da modelo imortalizada por Da Vinci na pintura do início do século XVI.

A equipe é dirigida por Giorgio Gruppioni, chefe do laboratório de Antropologia Óssea da Universidade de Bolonha, e Antonio Moretti, da Universidade de L' Aquila.

"A extração do DNA não é uma tarefa fácil e exige tempo, por isso é impossível precisar uma data concreta em que teremos os resultados", explicou Vinceti.

O que parece incontestável é que Lisa Gherardini foi a mulher retratada por Leonardo da Vinci. Vários documentos conservados no Arquivo de Estado de Florença demonstraram que Monalisa nasceu e viveu na Toscana italiana.

A nota encontrada na margem de um livro que é conservado hoje na biblioteca da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, confirma, pelo que Agostino Vespucci, amigo de Leonardo da Vinci, escreveu: "Leonardo se encontra trabalhando em três obras pictóricas, incluindo o retrato de Lisa Gherardini".

"Também o escritor Giorgio Vasari disse em 1550: 'Leonardo fez para Francesco Di Giocondo o retrato de sua esposa Mona Lisa'", acrescentou Vinceti.

La Gioconda, seu título original, que em italiano significa 'a sorridente', um óleo sobre madeira de 77 por 53 centímetros, foi pintado entre 1503 e 1519, foi comprada pelo rei Francisco I da França no início do século XVI e desde então é propriedade do Estado francês e está aberta à visitação no Museu do Louvre.

Em 1911 a obra foi roubada em Paris, e encontrada dois anos depois em Florença. Desde então nunca retornou ao berço do Renascimento, nem mesmo para uma exibição temporária.

O comitê italiano luta há anos para que a pintura retorne temporariamente à Itália, e chegou a enviar uma carta ao diretor-geral de Patrimônio do Ministério da Cultura da França, Vincent Berjot, que descartou esta possibilidade.

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