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Exposição reúne obras criadas por pacientes psiquiátricos

Víctor Ventura

Buenos Aires, Argentina

14/04/2014 10h16

Entender melhor os pacientes e, principalmente, demonstrar que a pintura é uma "loucura" universal que não entende de doenças mentais são os temas por trás da exposição "Cores na alma", composta exclusivamente por obras feitas por pacientes dos hospitais psiquiátricos Borda e Moyano, ambos situados em Buenos Aires.

A mostra, que conta com 15 artistas do hospital Borda e 16 do Moyan, ocupa o Pavilhão de Belas Artes da Universidade Católica Argentina (UCA) com diferentes estilos, desde os mais clássicos aos mais abstratos, que expressam a personalidade e o modo de entender a vida dos autores.

"Alguns nos sugerem alegria, outros energia em cores vivas, outros nos comovem. As obras expressam a vida humana desde uma pluralidade de traços", analisou a diretora do pavilhão, Cecilia Cavenagh, na abertura da mostra.

A exposição ganhou forma depois que os pacientes participaram de várias oficinas de pintura coordenadas pela curadora da exposição, María Luisa Barril, que trabalhou com eles para ajudá-los a transmitir seus sentimentos através da arte como parte do tratamento.

Barril resumiu a mostra e a seleção de obras como "tentativas de transmitir" o que os próprios artistas sentiam enquanto trabalhavam.

Durante a inauguração da mostra, vários dos pacientes presentes agradeceram sua participação com rosas vermelhas a Barril e expressaram sua felicidade pela possibilidade de mostrar suas criações em uma sala de exposições.

O decano da Faculdade de Psicologia da UCA, Marcelo Noel, chegou a um conceito que resume toda a exposição: a cura.

"Cura não no mero sentido médico, mas no mais amplo sentido de cuidado mútuo, já que a pintura apresenta "uma oportunidade de conversa com sua pessoa", sustentou Noel.

Os temas que os internos tratam em suas obras são variados, desde a natureza, a religião e a busca interior até o sexo, entre outros mais próximos aos problemas do cotidiano. Os títulos das obras, por exemplo, já adianta essa dimensão: "Do abismo não se sai por sair", "Tango, avião presidencial", "Love, love por tua culpa" ou "História, tradição e esperança".

O defensor público de menores da Argentina, Atilio Álvarez, qualificou a exposição como "uma mostra da dicotomia entre a luz e a escuridão", em referência às dificuldades dos doentes mentais da instituição.

"Quando tens uma luz, não se esconde debaixo da cama, mostra para que todos possam vê-la. Os que possuem a sorte profunda de ver a luz têm que ajudar a todos para que cada vez mais pessoas possam desfrutá-la", declarou.

O Hospital Borda é a instituição psiquiátrica mais famosa da Argentina, principalmente por seus métodos de encorajar os pacientes a se expressar, tanto em palavra como em pintura, o que levou seus internos a dirigir há 20 anos a primeira emissora do mundo feita por doentes mentais, a "Rádio La Colifata".

Esta experiência, que partiu com os objetivos médicos de ajudar os internos a manter a habilidade da fala, com debates e argumentações, se transformou em um modelo a ser seguido em muitos outros hospitais do mundo.

Todos estes projetos surgiram como resposta ao "estado de marginalização e de sofrimento mental" que caracteriza os internos historicamente rotulados como loucos, completou Álvarez.

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