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Pierre Cardin: "É a roupa quem cria nossa nacionalidade"

07/04/2014 15h22

Celia Sierra.

Madri, 7 abr (EFE).- Enérgico e contraditório, Pierre Cardin reúne um dos legados mais ecléticos da história da moda. Seus desenhos futuristas revolucionaram a passarela, e foi um dos primeiros grandes em abraçar o "prêt-à-porter", embora hoje reconheça que não se sente "no mesmo tempo" da rua e da passarela.

Em resposta sobre se acredita que a passarela representa o momento em que vivemos, o designer diz em entrevista à Agência Efe que, "infelizmente, sim", e considera que, apesar de seu distanciamento do mundo da moda atual, esse é um dos setores fundamentais da cultura.

"Se você fecha os olhos, através da moda pode ver o tempo passar. Sem moda, quem você é quando está nu?", questiona o criador, que conserva sua vitalidade aos 92 anos e elogia o estilo como um componente intrínseco da identidade do indivíduo.

"Você pode ser negro, branco ou chinês, mas de que nacionalidade você é quando está nu? É a roupa a que cria a nacionalidade", argumenta um Cardin que foi um dos responsáveis por levar a modernidade à passarela com desenhos de linhas psicodélicas.

A ousadia em levar o design ao grande público lhe valeu a expulsão do clube da alta costura francesa, sendo readmitido mais tarde, mas o italiano naturalizado francês sempre fez o que quis dentro e fora das passarelas.

Cardin é um dos grandes mitos da alta costura, mas suas experiências englobam desde os restaurantes - é proprietário da rede Maxim's - e os hotéis até a produção teatral, uma faceta da qual dará na tarde de hoje uma conferência no Instituto Francês de Madri.

"Não tenho complexos", afirma o criador, que domina como poucos a arte das entrevistas e que, antes de começar a responder, pergunta: "Em quanto tempo você quer as respostas?".

Nascido Pietro Cardin em San Biagio Di Callalta, na região italiana de Vêneto, em 1922, o costureiro reconhece que pelo teatro sente "nostalgia", desde que era jovem; de fato, se introduziu na moda como uma "maneira de ganhar dinheiro" para poder, assim, "pagar" por seus cursos de teatro, já que, quando desembarcou em Paris, era só "um refugiado da guerra", lembra.

"A princípio queria ser ator e dançarino (...), mas também queria poder escolher os papéis da minha vida (profissional)", explica o estilista.

Começou na moda com Jeanne Paquín e Elsa Schiaparelli, duas das casas mais relevantes da época, e depois trabalhou com Christian Dior (1945), mas em 1950 decidiu que já estava preparado para abrir sua própria marca de moda.

"Ao conhecer tantos autores e escritores tive vontade de existir por mim mesmo", argumenta o designer.

A aventura não foi em vão. O empório Pierre Cardin, que o estilista pôs à venda há dois anos pela quantia de 1 trilhão de euros, ainda sem comprador, reúne centenas de licenças com seu nome, uma linha de roupa em Paris, propriedades imobiliárias, assim como restaurantes, hotéis e o Espaço Pierre Cardin.

O espaço, que é um centro artístico e fica no antigo Théâtre des Ambassadeurs, foi comprado há quatro décadas com o objetivo de divulgar o trabalho dos talentos jovens da arte e do espetáculo. Por ele passaram estrelas como Marlene Dietrich, Jeanne Moreau, María Casares, Jean Cocteau, Juliette Greco e Dionne Warwick.

De Dietrich, ficou a lembrança de "um ser muito particular" e, embora "não fosse fácil trabalhar com ela", acredita que ela tinha adoração por ele, relata Cardin, que acredita que conhecer esses artistas "tão jovem" lhe serviu para viver a vida "com muita liberdade".

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