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Livro traz mulheres responsáveis pela ascensão e queda do Marquês de Pombal

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Sebastião José de Carvalho e Melo passou à história conhecido por seu título de nobreza, Marquês de Pombal Imagem: Reprodução

Sabrina Aïd

31/03/2014 06h00



Lisboa, 31 mar (EFE).- Sempre se diz que por trás de um grande homem há uma grande mulher, mas no caso de Marquês de Pombal, uma das personalidades políticas mais influentes de Portugal, foram várias as mulheres que determinaram sua ascensão e sua posterior queda.

A Baixa de Lisboa, reconstruída após o terremoto de 1755 que devastou a cidade, o imortalizou perante os olhos dos portugueses.

No entanto, além de seu papel de arquiteto, estadista e político, é muito pouco o que se sabe da vida privada de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal (1699-1782).

Essa é precisamente a faceta que analisa a escritora e historiadora espanhola, Maria Pilar Queralt, em seu novo livro "As Mulheres do Marquês de Pombal", publicado neste mês em Portugal.

"As mulheres tiveram uma presença muito ativa em sua vida, seja como protetoras ou como inimigas", explicou Queralt em entrevista à Agência Efe.

Entre seu primeiro casamento secreto e por amor com uma mulher dez anos mais velha e de uma classe social muito superior, como Teresa de Mendonça e Almada, e um segundo por conveniência com Maria Leonor Ernestina Daun, com quem teve quatro filhos, o Marquês de Pombal ascendeu vertiginosamente em sua carreira diplomática.

Cada vez mais próximo da corte, foi ali onde encontrou sua maior protetora e a mulher que o colocou definitivamente no poder, a rainha Maria Ana de Áustria.

Com o sofrimento que lhe causava seu marido, o rei João V, e com a mãe do Marquês de Pombal em seu reduzido círculo de confiança, a rainha "admirava nele sua conduta de marido apaixonado e fiel mas, principalmente, sua cultura, sua formação, sua vontade de superação e seu evidente desprezo pela ostentação cortesã", conta Queralt em sua obra.

Mas a rainha não podia imaginar então que seria sua própria neta quem, mais tarde, sentenciaria a desgraça do Marquês, influenciada pelo ódio de sua mãe, a nora da rainha, Mariana Vitória de Bourbon, chegada da Espanha para casar com José I.

Logo após chegar, a espanhola começou a sentir antipatia pelo Marquês, a quem responsabilizava pela crescente rigidez da rainha com ela. "Mariana Vitória era repreendida continuamente por seu desejo de viver e se divertir", descreve Queralt.

A antipatia se transformou em ódio por causa de seus ciúmes enfermiços porque achava que o Marquês de Pombal ajudava seu marido a encobrir sua relação extraconjugal com Teresa de Távora.

Além disso, se diz que o rei José I retornava da casa de sua amante em 1758 quando foi alvo de uma suposta tentativa de regicídio, episódio que marcou o início da queda do Marquês de Pombal, então primeiro-ministro e, como tal, encarregado de apurar responsabilidades.

Sob tortura, os autores do atentado apontaram como líder uma mulher da família Távora, da nobreza, amiga da rainha e, como ela, inimiga do Marquês.

Como intelectual ilustrado que era, o primeiro-ministro defendia a monarquia absoluta, mas ao mesmo tempo reformista, tentando melhorar a vida dos súditos, políticas que "prejudicavam a nobreza, por isso que seus inimigos foram os conservadores que pretendiam o poder absoluto sem reformas", relata Queral.

A intolerância de Marquês, que condenou à morte por tentativa de regicídio a suspeita e sua família, constituiu um dos maiores escândalos políticos em Portugal e um espetáculo público tão sangrento que teve repercussões em toda Europa.

De fato, a filha dos reis Maria Vitória e João I, Maria I, tinha apenas 25 anos quando assistiu ao terrível massacre que a marcou profundamente.

Após a morte de seu pai, a rainha Maria Vitória "tinha um único objetivo: conseguir que sua filha, a nova rainha, fizesse Marquês de Pombal pagar por todas as afrontas".

E quando subiu ao trono, "imediatamente, a nova rainha deu amostras de estar disposta a tomar as medidas que conduziriam Marquês de Pombal ao ostracismo", conta a autora.

Após declarar os Távora inocentes, o estadista foi afastado da corte e expatriado a Pombal, (centro do país) onde faleceu em 1782.

O Marquês deixava não só uma herança material, a conhecida ainda hoje como a Baixa Pombalina, mas também intelectual, com seus ideais ilustrados que foram posteriormente cultivados em círculos literários.

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