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Perfil de Londres mudará com a construção de mais de 200 arranha-céus

23/03/2014 06h00

David Palacios.

Londres, 23 mar (EFE).- O aspecto urbano de Londres mudará nos próximos anos com a construção de mais de 200 arranha-céus de escritórios, casas e hotéis, por causa da chegada de empresas que apostam em investir na capital britânica.

Desde que Londres teve seu primeiro "arranha-céu" em 1098, quando foi construída a fortaleza da famosa Torre de Londres, de 27 metros de altura, a cidade sofreu mudanças, com edifícios cada vez mais altos, especialmente na área financeira.

Longe de chegar ao fim, o planejamento urbano de Londres viverá outra importante revolução até 2020, com o planejamento de 236 novos edifícios de mais de 20 andares.

Os edifícios aparecerão principalmente no centro e no leste da cidade, segundo um relatório divulgado pelo grupo New London Architecture (NLA), um fórum de debate sobre o futuro da arquitetura na capital britânica.

O motivo, segundo o grupo, é o aumento da chegada de investidores com grande poder aquisitivo e construtoras que apostam em Londres para fazer grandes edifícios O NLA lembrou que estes novos prédios, que dobrarão o número de grandes construções em Londres em relação a hoje, "levarão em conta os edifícios que os rodeiam e protegerão espaços singulares e de interesse para garantir que o novo desenvolvimento em grande escala seja inserido em uma cidade histórica sem destruir sua personalidade".

Pelo menos 80% dos novos edifícios, que já estão em construção ou receberam alvará da prefeitura, serão residenciais, mas também estão previstos prédios comerciais e oito hotéis.

A maioria das construções terá entre 40 e 49 andares, 20 chegarão aos 50 e duas terão 75 pisos.

"É preciso garantir que as prefeituras tenham as competências urbanísticas para garantir que os novos edifícios estejam bem projetados e construídos e que façam uma contribuição positiva ao meio ambiente", disse à Agência Efe Peter Murray, presidente do grupo de arquitetos do NLA, autor do relatório.

A prefeitura do bairro londrino de Westminster alertou para o risco da proliferação deste tipo de construção.

Sua diretora de planejamento, Rosemarie MacQueen, disse que isto "poderia ter efeitos prejudiciais para alguns dos lugares mais conhecidos e sensíveis de Londres, como os parques reais e a praça do Parlamento, que têm um papel tão importante na vida cultural e econômica".

Na prefeitura de Londres, o encarregado de planejamento, Edward Lister, destacou que "não se pode impor um congelamento no perfil da cidade" e considerou que a chave é "discutir se um edifício é uma contribuição positiva para o âmbito urbano e a prosperidade de Londres e para os londrinos".

Além disso, Matthew Carmona, professor de planejamento e design urbano na University College London (UCL), disse à Efe que "já existem áreas de conservação" em algumas áreas centrais da cidade e garantiu que a proliferação de construções altas não representa um problema "desde que fiquem em áreas apropriadas".

"Em alguns anos em um percurso pelo Tâmisa observará um perfil de Londres muito diferente do atual, mas nos subúrbios estas mudanças não estarão tão presentes", concluiu Carmona.

Desde 2010, Londres conta com o edifício mais alto da União Europeia (UE), o Shard, de 300 metros de altura e 87 andares dedicados a escritórios, residências de luxo, um hotel de cinco estrelas, um restaurante e um mirante de onde se pode avistar a capital britânica.

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