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Lago dos Cisnes de Nureyev renasce em Viena 50 anos após estreia

Michael Pöhn/EFE
Olga Esina e Vladimir Shishov em nova montagem de "O Lago dos Cisnes" Imagem: Michael Pöhn/EFE

Antonio Sánchez Solís

16/03/2014 13h27

No dia 15 de outubro de 1964, o pano de fundo da Ópera de Viena subiu e desceu 89 vezes em uma interminável ovação à versão de "O Lago dos Cisnes" que Rudolf Nurerey acabava de estrear. Hoje, aquela mítica montagem sobe de novo ao palco, renovada, mas mantendo o respeito ao bailarino russo.

A apoteose gerada pela coreografia de Nureyev, que interpretou o príncipe Siegfried enquanto a mítica Margot Fonteyn fez o duplo papel de Odile/Odette, entrou inclusive no Livro Guinness dos Recordes.

A montagem foi desde então um clássico em Viena, com um hiato durante a década de 1990, e não entrava em cartaz há cinco anos.

Agora, o diretor do Balé de Viena, Manuel Legris, revisou aquela primeira interpretação que Nureyev fez do clássico de Tchaikovsky, com a intenção de respeitar o original, mas adaptando-o aos novos tempos e aos novos dançarinos.

Para começar, Legris optou por eliminar parte da opulência quase barroca da decoração, do figurino e a ambientação apresentada em 1964.

"Fizemos algo mais estético, mais leve. Porque acredito que agora não podemos usar elementos tão barrocos", explicou à Agencia Efe o bailarino e coreógrafo francês, que foi pupilo em Paris do próprio Nureyev.

"Acho que a coreografia de Nureyev merece que agora, em 2014, seja mostrada com mais singeleza", afirmou, acrescentando que a estética de 1964 seria hoje motivo de risos.

Legris, que dançou como Siegfried na segunda versão do Lago dos Cisnes que seu mestre fez em 1984 para a Ópera de Paris, reconhece que foi difícil manter a distância para não poluir a montagem vienense.

"Quero respeitar a versão de Viena porque é realmente única. O que quero é pegar a versão original de Viena e pegar alguns elementos de Paris, em passos de baile e musicalidade. Tenho certeza que se Nureyev estivesse aqui, não faria exatamente o mesmo que em 1964", argumentou.

O diretor do Balé de Viena lembra que o que Nureyev fez em 1964, com apenas 26 anos, revolucionou boa parte dos princípios clássicos da dança e da divisão de papéis entre homem e mulher.

"Acho que Nureyev, como coreógrafo, sempre pôs o homem em seu lugar, não como um acompanhante, mas como um artista. Nas versões passadas do Lago dos Cisnes, o bailarino era discreto para que a bailarina aparecesse formosa. Nureyev pôs o nível do bailarino em seu lugar", comentou Legris.

A mudança, segundo ele, foi muito importante para os bailarinos e faz com que, quando um deles sobe ao palco, não se sinta apenas como um "acompanhante" da bailarina.

No desafio de reestudar a versão vienense de "O Lago dos Cisnes", Legris afirma se sentir respaldado pela estreita colaboração que teve com Nureyev, seu mestre e seu companheiro de baile no palco.

"É fácil para mim tomar decisões. Digo aos outros: garanto que isso é um passo de Nureyev, e não de Manuel Legris. Nunca poria um passo meu nesta produção", afirmou.

O artista francês afirma que tentou fazer chegar aos bailarinos a necessidade de transmitir sentimentos em uma história que considera muito formosa e na qual é essencial "seguir a psicologia de cada personagem".

Legris conta com Olga Esina e Vladimir Shishov, solistas do balé vienense, para os papéis protagonistas de Odile e Sigfried.

O coreógrafo argumenta que nem a escola, nem o físico de Esina é o da diva Fonteyn, e que o fato de que entre as duas haver várias gerações de bailarinas também lhe obriga a aplicar mudanças em alguns movimentos em relação à montagem original.

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