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Itália sonha com renascer de seu cinema após o Oscar de "A grande Beleza"

03/03/2014 17h36

Roma, 3 mar (EFE).- O Oscar de melhor filme estrangeiro para "A grande beleza", do diretor italiano Paolo Sorrentino, provocou euforia na crítica e na mídia italiana nesta segunda-feira, que apontam um "renascer" do esplendor da cinematografia italiana.

A notícia do Prêmio da Academia para Paolo Sorrentino (nascio em Nápoles em 1970), autor de filmes como "Il Divo" (2008), repercutiu hoje nas páginas mais destacadas da imprensa e suscitou as menções de autoridades e intelectuais da Itália, que agradeceram o diretor por ter recuperado um prêmio que não ficava em mãos italianas há 16 anos.

"A Grande Beleza" narra o 65º verão de Jep Gambardella (Toni Servillo), um ácido e mordaz escritor que só escreveu um livro de sucesso sobre o epicentro da vida social romana, caracterizada pelo enfado e pelo vazio.

Uma vida social que se desenvolve em uma magnífica Roma e onde intelectuais, políticos medianos, artistas em decadência e escritores frustrados, entre outros, frequentam luxuosos palácios, testemunhas de suas inverossímeis conversas e seus instáveis relações.

O longa já tinha dado mostras de sucesso com a conquista do Bafta e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

O Oscar para o filme italiano suscitou a reação de diferentes personalidades do país, como políticos, jornalistas e treinadores de futebol.

O chefe do Estado, Giorgio Napolitano, conterrâneo do cineasta, ficou feliz com a notícia.

"Se recuperou justamente no filme de Sorrentino o sentido da grande tradição do cinema italiano e de uma nova capacidade criativa que representa a realidade e os costumes de nosso tempo. É um reconhecimento esplêndido e uma esplêndida vitória para a Itália", afirmou.

O ministro da Cultura, Dario Franceschini, felicitou Sorrentino e aludiu à capacidade artística da Itália.

"É a demonstração que se a Itália, achando e confiando em si mesma, investindo em criatividade, inteligência, beleza, arte, história e cultura, pode conseguir qualquer desafio que se propuser", reivindicou o ministro.

Até o técnico espanhol do Nápoles, Rafa Benítez, lembrou, com uma metáfora futebolística, que Sorrentino conseguiu seu objetivo com esforço.

"Felicidades a Paolo que alcançado seu objetivo após a partida e ao fim podemos dizer que o balanço foi verdadeiramente fantástico. Grande Sorrentino e 'Forza Nápoles'!", exclamou.

Além disso, a imprensa fez uma grande cobertura da notícia e fizeram referência ao retorno da Itália ao panteão do cinema.

O "Corriere della Sera", maior jornal do país, abriu sua edição digital com o título: "Sorrentino triunfa em Hollywood" e lembrou que com o Oscar para "A grande beleza", a Itália soma 13 estatuetas de Melhor Filme Estrangeiro, "uma mais que a França".

Por outro lado, a "Repubblica" colocou como manchete "A estatueta volta para a Itália" e com uma crônica que lembrou que o Oscar não ficava em mãos italianas há 16 anos, com "A Vida é Bela" (1997) de Roberto Benigni.

A emissora de TV "RAI" fez um debate com analistas e críticos que elogiaram Sorrentino e apontaram semelhanças entre seu cinema e o de Federico Fellini (1920-1993), ganhador de quatro prêmios Oscar mais um honorário e diretor de filmes como "La Dolce Vita" (1960), "Amarcord" (1973) e "Oito e Meio" (1963).

"A grande beleza" ocupa o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos na Itália.

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