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América Latina esquece os protestos e se entrega ao carnaval

03/03/2014 20h59

Bogotá, 3 mar (EFE).- Como costuma ocorrer todo ano nesta data, vários países da América Latina, além do Brasil, como Venezuela, Colômbia, Bolívia e Equador tentam esquecer os problemas políticos, sociais e econômicos para entregar-se de corpo e alma ao carnaval.

Na Colômbia, a festa se concentra em Barranquilla, que ontem teve em seu segundo dia de Carnaval o grande e colorido desfile da Grande Parada da Tradição, com blocos com as tradicionais danças do Garabato, do Congo e do Paloteo.

Assim, os naturais de Barranquilla e boa parte dos moradores do litoral do Caribe seguem celebrando à espera do enterro simbólico amanhã de "Joselito Carnaval", um personagem que segundo a lenda morre pelos excessos cometidos durante os dias de festa, mas revive no ano seguinte.

Depois haverá tempo para preocupar-se com coisas como as eleições legislativas do próximo domingo, nas quais serão eleitos os novos membros do Congresso que acompanhará o próximo governo, a ser escolhido em maio, e ainda no meio de um processo de paz com as Farc que segue dividindo a boa parte do país.

Justamente consciente que estes tipos de festas são um paliativo para as penúrias políticas foi que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, decidiu ampliar para seis os dias de folga no carnaval, que em princípio só tinha como feriados hoje e amanhã.

No meio da efervescência política que se vive desde o último dia 12 de fevereiro e que já deixou pelo menos 18 mortos, graças a este longo período de festa milhares de venezuelanos se deslocaram para as praias e outros locais de descanso.

Inclusive, no domingo, Maduro mostrou fotografias de praia e carnavalescas no Twitter para "decretar a vitória dos carnavais" e assegurar que a Venezuela vive um clima de calma apesar de as passeatas e protestos continuarem em boa parte do país.

Na Bolívia, com estas festividades também se tenta esquecer, mesmo que momentaneamente, o drama que se vive desde outubro por culpa das intensas chuvas que já deixaram 59 mortos, 60 mil famílias atingidas e perdas milionárias.

E embora várias cidades tenham cancelado as celebrações de carnaval, boa parte das regiões o comemoram desde o fim de semana e até amanhã, com desfiles de fantasias e bailes típicos, com o de Oruro, Patrimônio Oral e Intangível da Unesco, como máxima expressão do folclore boliviano.

O Uruguai, por sua parte, ainda no meio das férias de verão e após um mês de Carnaval, considerado o mais longo do mundo, parece ter se esquecido de discussões como a aprovação da maconha e ainda não começou a prestar atenção na campanha para as eleições de outubro.

Enquanto os demais dias costumam ser reservados para o descanso com a família, a segunda e a terça-feira de carnaval costumam ser vividas intensamente na cidade de La Pedrera, com uma grande festa popular que reúne milhares de turistas, quase todos jovens e uruguaios.

No Equador também já parece coisa do passado a reação do presidente Rafael Correa após o triunfo eleitoral há uma semana da oposição nas principais cidades do país, inclusive Quito, e mais de um milhão de pessoas se mobilizaram para ver desfiles alegóricos, as tradicionais brincadeiras com água e a celebração indígena pelas primeiras colheitas.

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