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Cuba confirma roubo de peças do Museu Nacional de Belas Artes

28/02/2014 19h59

Havana, 28 fev (EFE).- O Conselho Nacional de Patrimônio Cultural (CNPC) confirmou nesta sexta-feira o roubo de um grande grupo de peças do Museu Nacional de Belas Artes em Havana, a maioria obras de arte cubana, e declarou que já distribuiu uma relação delas para evitar o comércio ilegal dentro e fora do país.

"Na semana passada, foi detectada a falta de uma importante quantidade de peças do armazém situado no edifício administrativo 'Antonio Rodríguez Morey' do Museu Nacional de Belas Artes", diz a nota do CNPC divulgada hoje pela imprensa oficial.

Conforme explica o comunicado, o local não foi arrombado ou destruído e "não é possível precisar a data exata em que o roubo aconteceu" já que "os criminosos cortaram as obras recolocando os quadros ordenadamente, por isso, a primeira vista não era possível perceber".

A primeira informação sobre o roubo tinha vazado em Miami, onde o galerista Ramón Cernuda afirmou hoje à Agência Efe que há duas semanas comprou uma pintura do artista cubano vanguardista Eduardo Abela (1889-1965), pertencente ao Museu cubano, sem saber que tinha sido roubada.

Ele entrou em contato com altos funcionários do museu para saber sobre a peça. A equipe confirmou que era o quadro "Carnaval infantil" de Abela (1889-1965) roubado do museu.

O CNPC informou hoje que a maior parte das obras furtadas corresponde a Arte Cubana, ao período conhecido como mudança de século (trânsito entre a academia e a vanguarda), especialmente a peças realizadas por Leopoldo Romañach.

"Está à disposição das autoridades competentes dentro e fora do país a relação total de obras com suas fichas técnicas e fotos, a fim de alertar a museus, galerias, casas leiloeiras e outros", explica a nota da instituição.

O Conselho ressaltou, além disso, que as peças "podem estar à mercê do comércio ilegal em nível nacional e internacional", e advertiu que "qualquer informação que obtenha sobre elas poderá dirigir a sua recuperação".

"Será de máxima utilidade para a investigação realizada a fim de esclarecer os fatos", acrescentou o comunicado.

O site "Café Fuerte", dedicado a cobrir atualidades de Cuba e Miami, disse que desconhece o número exato de pinturas roubadas, mas pode chegar a centenas, a maioria pertencente ao vanguardismo das décadas de 20 e 30.

Segundo o site, em 1995 as autoridades cubanas desarticularam uma rede de contrabando de obras de arte cujo chefe do grupo era o então administrador do Museu Nacional de Belas Artes, fundado em 1913.