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Isabel Allende lança "El Juego de Ripper", seu primeiro romance policial

EFE/Felipe Trueba
A escritora chilena Isabel Allende Imagem: EFE/Felipe Trueba

Ana Mendoza

De Madri (Espanha)

21/01/2014 16h30Atualizada em 21/01/2014 19h14

A escritora chilena Isabel Allende faz sua estreia no gênero policial em seu novo romance, "El Juego de Ripper", obra de intrigas, baseada em um RPG e cheia de personagens excelentes, com os quais procura ser fiel às regras do estilo, mas "com humor e ironia".

"No fundo eu zombo do gênero. Fiz um pouco como Cervantes faz quando zomba dos romances clássicos e escreve '(Dom) Quixote'", disse Allende nesta terça-feira (21) à Agência Efe, pouco antes de apresentar o romance na Casa da América de Madri.

"El Juego de Ripper", à venda há poucos dias nas livrarias dos países hispânicos, representa uma reviravolta significativa na trajetória da escritora que gosta "de desafios", já que nunca havia publicado um romance policial.

A história ocorre em 2012 e se passa em São Francisco, a cidade da Califórnia onde ela vive há mais de 20 anos e uma terra "otimista".

O otimismo se reflete na trama, na qual "ocorrem coisas que, se acontecessem na América Latina, diriam que é realismo mágico, mas como acontecem nos Estados Unidos é medicina alternativa ou 'new age'", comparou a escritora.

Pouco fã do romance policial, Isabel leu vários escritores escandinavos enquanto escrevia "El juego de Ripper", como Stieg Larsson.

Mas a autora se deu conta de que não poderia escrever obras assim "porque são muito sórdidas, muito negativas, não há nenhuma redenção. Tudo é obscuro e eu não sou assim", explicou na entrevista.

"Decidi escrever um romance dos meus e adicionar crimes, assim, como quem joga sal, para ver o que saía". E o que saiu é pura Isabel Allende.

O romance surgiu de uma curiosa encomenda. A agente literária Carmen Balcells pediu que a autora escrevesse um livro policial junto com seu marido, o advogado californiano Wlilliam C. Gordon, que caminha para seu sexto romance policial.

"Não era possível. Temos métodos muito diferentes. Ele é gringo, escreve em inglês, em períodos curtinhos, à mão. Eu escrevo direto no computador, sem planejamento, em espanhol, por 11 horas seguidas se for necessário", conta a autora de "A Casa dos Espíritos".

Em 8 de janeiro (Allende sempre começa seus romances nessa data) a escritora foi para seu quarto escrever seu livro e seu marido fez o mesmo com o dele. "A coisa podia ter acabado em divórcio", acrescenta.

Para se informar, ela assistiu a uma conferência de escritores de romances policiais onde aprendeu "muitas coisas". Falou com policiais, detetives e médicos legistas, além de um psicólogo especializado em assassinos em série.

No livro, a chilena escolheu um RPG para contar os crimes que comovem a cidade de São Francisco e os arredores. A ideia lhe ocorreu ao ver sua neta Andrea jogar o RPG "Ripper", no qual o objetivo é pegar Jack, o estripador, em Londres, em 1888.

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