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Bienal de Arquitetura estimula uso democrático do espaço público

23/10/2013 10h34

Macarena Soto.

São Paulo, 23 out (EFE).- Conseguir um uso "mais democrático" de algumas cidades brasileiras, cheias de ruas e praças "sempre fechadas" e povoadas por cidadãos "sem tradição de usar seu espaço" é um dos principais desafios da Bienal de Arquitetura, que começou no último dia 12 de outubro em São Paulo.

Uma viagem arquitetônica e histórica recebe o visitante no Centro Cultural de São Paulo, eixo principal da 10ª edição da Bienal, intitulada "Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar" e que tenta apresentar "uma exposição para todos", não só para profissionais e especialistas, afirmou à Agência Efe Guilherme Wisnik, curador geral do evento.

"Vem muita gente que não é arquiteta e nos diz que finalmente entenderam as exposições", afirmou Wisnik, que explicou que a "primeira decisão da Bienal foi tratar não de arquitetura, mas de cidade".

As exposições pertencem a 180 artistas de diferentes países e versam sobre diferentes lugares do planeta. Entre elas, o curador destacou "Carropolis", que explica "como o carro transformou totalmente a cidade" e a brasileira "Espaço público e ativismo".

"Essa mostra conecta o movimento nova-iorquino do Occupy Wall Street com as manifestações daqui em junho, nas quais se exigia um transporte público de qualidade", analisou Wisnik.

Na opinião do curador da Bienal, apesar de os brasileiros não terem uma "tradição do uso do espaço público", nos últimos dois ou três anos a cidade "começou a ser mais usada" com eventos localizados em parques e praças, mas também em locais "menos previsíveis".

Exemplo disso é o viaduto Presidente Costa e Silva, conhecido em São Paulo como Minhocão, que cada a domingo deixar de ser uma via engarrafada e se transforma em um centro de lazer.

"O Minhocão se transforma em um parque, agora está cheio todo domingo, no asfalto, um lugar horrível, mas que mesmo assim é usado", declarou Wisnik, para quem "tudo isto tem a ver com as manifestações de junho nas quais o povo começou a usar a rua".

Por sua vez, a Bienal tenta levar o olhar do cidadão ao uso que no passado fez-se da arquitetura. Assim, as exposições "Detroit: Ponto morto?" e "China: o mundo renderizado" apresentam duas cidades "fantasmas por diferentes motivos".

"Temos uma exposição sobre a China, sobre uma cidade construída para um milhão de habitantes, mas na qual ninguém vive e que está ligada a uma sobre Detroit, que era a base automobilística mundial e que decaiu muito nas ultimas décadas e agora está em uma grande crise", comentou.

E apesar de o grande evento da arquitetura paulista aproximar os brasileiros de algumas construções estrangeiras, a Bienal se centra mais em como o design pode mudar a forma de entender a cidade no país.

"É o momento da arquitetura no Brasil, estamos recebendo muitos profissionais, principalmente espanhóis e portugueses, cuja colaboração é muito importante para nós porque ficamos muito isolados da discussão mundial durante a ditadura", opinou.

Dessa forma, a arquitetura nacional representada na Bienal se mostra preocupada com os próximos projetos e construções previstos para os próximos anos.

"Temos o Rio de Janeiro que será sede dos próximos Jogos Olímpicos e não sabemos muito bem o que acontece ali, é como uma caixa-preta, um segredo que se faz sem que os arquitetos nem a sociedade saibam de que se trata", lamentou.

Segundo Wisnik, o Brasil vive um momento de grande mudança arquitetônica, no qual a disciplina é "fundamental", mas que "não deve contribuir só para um desenvolvimento correto", mas "tem que ser parte de um conjunto de ações públicas que tentem fazer uma cidade melhor, uma ideia de espaço público mas efetiva".

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