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Exposição na capital libanesa exalta uma Síria além da guerra

21/10/2013 06h13

Kathy Seleme.

Beirute, 21 out (EFE).- Devastada por mais de dois anos de guerra civil e inteiramente dividida pelo sectarismo - principalmente religioso -, a Síria busca atenuar essa situação através da arte, remédio universal que, no caso, ganhou forma em uma exposição com 50 artistas sírios.

Embora tenha sido montada em uma galeria de arte da capital libanesa, a exposição em questão reúne mais de 150 quadros, esculturas, fotos e vídeos, todos assinados por artistas sírios - famosos ou não.

A exposição é organizada por Samer Kozak, dono de uma das galerias mais prestigiadas de Damasco, em colaboração com o dono da galeria libanesa Artheum, Nino Azzi, que abriga a mostra.

Azzi explicou à Agência Efe que a ideia da exposição surgiu há três anos, mas que era impossível realizá-la em Damasco devido ao conflito, que, inclusive, ocasionou o fechamento de muitas galerias e salas no país.

"Muitos dos artistas consideram Beirute como uma terra de amparo, mas esta exposição se centra no vínculo da Síria com a cultura e a arte nestes momentos tão difíceis", acrescentou Azzi.

Para o galerista, o objetivo da mostra é "consolidar os vínculos entre os artistas, que são de diferentes comunidades (religiosas), e demonstrar que a arte é um laço capaz de reforçar essa harmonia".

Kozak argumentou que a decisão de montar a exibição no Líbano se deve ao apreço do público deste país pela arte síria, embora tenha confirmado o interesse de patrocinadores que desejam levar essa mostra para outros países.

"Continuaremos realizando esta exposição uma vez por ano em Beirute até que possamos retornar à Síria", declarou Kozak à Efe.

As estâncias da vasta sala de exposição da Artheum recebem obras de galerias de arte sírias como, a Samer Kozak Galery, Art Residence Alep e Tajalliyat.

Um dos destaques da mostra é a obra do artista Fady al Hamvi, que montou uma espécie de sala cheia de tijolos em ruínas entre um televisor.

Na entrada, uma mensagem: "Casa destruída com as lembranças e o cheiro das pessoas que lá viviam. Um corpo no vazio que procura um lugar para fixar seu pé. Estão vocês diante da tragédia do meu país".

Além da obra citada, há salas atribuídas para escultura, outras para a fotografia em branco e preto e uma para vídeoarte, assim como outra para joalheria.

A galeria Tajalliyat de Damasco apresenta um panorama da arte contemporânea síria, como assinalou à Agência Efe Mayssa Chehab, mas não incluem cenas da guerra: "Não entramos nesse âmbito, já que a arte síria não se limita a este período", completou Chehab.

No entanto, essa característica não se refere aos trabalhos do jovem talento Imad Jalb, que vivia em Damasco e há mais de um ano foi obrigado a se mudar para Beirute.

"A explosão de cores em meus quadros reflete minhas emoções, meus sentimentos e minhas lembranças. A situação, desde o começo, foi muito perigosa. Havia explosões e as pessoas morriam em todas as partes. Em um segundo ou dois, tudo pode mudar", declarou o jovem, que sonha em retornar ao seu país.

"Não precisamos voltar para reconstruir apenas os edifícios, mas para restabelecer as comunicações interrompidas entre os sírios por causa da guerra. Neste caso, o importante é nos assegurar que não teremos um país dividido, mas um no qual todos colaboram", completou Jalb.

As marcas da guerra também estão presentes nas pinturas de Heba Alkad, embora não estejam em foco, como explicou o jovem artista da cidade de Aleppo que, por causa da guerra, optou por viver no Líbano.

"Meus quadros contém minha vivência, mas também a necessidade de estabilidade e de calma. Vejo Damasco como uma cidade com muita energia, vida e alegria e é justamente isso que expresso em minhas pinturas", finalizou Alkad.

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