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Suíça radicada no Brasil, Mira Schendel ganha exposição em Londres

24.set.2013 - Mulher obsevar "Variantes 1977", obra da artista Mira Schendel exposta na Tate Modern, em Londres  - Facundo Arrizabalaga/EFE
24.set.2013 - Mulher obsevar "Variantes 1977", obra da artista Mira Schendel exposta na Tate Modern, em Londres Imagem: Facundo Arrizabalaga/EFE

24/09/2013 17h16

O museu londrino Tate Modern inaugurou nesta quarta-feira (24) a primeira grande retrospectiva da artista Mira Schendel (1919-1988), uma mostra que contará com 270 desenhos e esculturas que representam o trabalho de uma das maiores figuras artísticas da América Latina.

A exposição, intitulada com o próprio nome da artista plástica suíça radicada no Brasil, analisa sua carreira e evolução através de 14 salas com quadros, esculturas e desenhos em papel, todos procedentes de coleções privadas e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, alguns deles expostos pela primeira vez.

"Emoldurada na arte contemporânea do pós-guerra, Mira Schendel é uma das maiores artistas latino-americanas do último século, construiu seu próprio estilo e adaptou o modernismo europeu ao Brasil", explicou nesta terça-feira à Agencia Efe a curadora da exposição, Tanya Barson.

Filha de pais judeus e nascida em Zurique, Mira começou seus estudos de Filosofia na cidade de Milão e, pouco tempo depois, se viu forçada a abandonar o país em 1938 devido ao avanço dos nazistas na Europa.

Após se refugiar na Áustria, Suíça e Iugoslávia, Mira conseguiu viajar para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando criou suas primeiras e sóbrias telas em óleo que abrem a exposição.

"Comecei a pintar no Brasil. A vida era muito dura, não havia dinheiro para telas e nem pincéis, mas costumava comprar materiais baratos e comecei a pintar como louca. Para mim era um tema de vida ou morte", escreveu a artista brasileira em suas memórias.

Em um repasse quase cronológico, a mostra "Mira Schendel" apresenta grandes obras que a artista realizou ao longo de sua carreira, como "Untitled" (1962) e "Untitled All" (1960-1965), nas quais mistura formas abstratas e geométricas em uma série de telas em preto e branco.

Outro forte da exposição são as pequenas esculturas e os desenhos feitos com papel de arroz que Mira criou a partir dos anos 60, como "Droguinhas" (1965) e a série "Writings" (1964).

A série "Graphic Objects" (1967), que foi exposta na Bienal de Veneza de 1968 e que é formada por mais de uma dezena de desenhos feitos com tinta acrílica, também faz parte da exposição. Nesta, letras, números e poesia aparecem como grandes protagonistas.

As últimas obras de Schendel, conhecidas como "Sarrafos" (1987) e que são compostas por grandes murais brancos cortados por fitas de seda preta em diversas direções, também integram essa exposição.

"Sua obra é uma resposta as suas primeiras experiências culturais na Europa e se traduziu em quadros onde a artista questiona a linguagem, a fé e a existência humana", apontou a curadora.

Ao lado de contemporâneos como Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937), Mira é uma das maiores expoentes da arte moderna latino-americana do século XX e, embora não tenha feito parte das duas correntes mais importantes da época - o concretismo e neoconcretismo -, conseguiu exercer influência nas novas gerações.

A exposição "Mira Schendel" poderá ser conferida até o próximo dia 19 de janeiro na Tate Modern, o museu de arte contemporânea mais visitado do mundo.