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Michelle Bachelet volta ao local onde foi torturada após o golpe de 1973

10/09/2013 15h04

Santiago do Chile, 10 set (EFE).- A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet voltou nesta terça-feira junto a sua mãe, Ângela Jeria, ao lugar onde ficaram detidas e foram torturadas após o golpe que Augusto Pinochet liderou em 1973 para derrubar o governo de Salvador Allende.

Bachelet, candidata da oposição às eleições presidenciais de novembro, e sua mãe participaram hoje de um ato pelos 40 anos do golpe, realizado no Parque da Paz Vila Grimaldi, como se chama atualmente o antigo centro de extermínio e tortura administrado pelos sobreviventes.

Durante o ato, em homenagem aos 229 prisioneiros assassinados ou desaparecidos nesse local, Bachelet estava visivelmente emocionada e, no final, ainda deixou um cravo vermelho no chamado Muro dos Nomes.

Nesse muro, sob o verso de Mario Benedetti - "O esquecimento está cheio de memória" -, estão gravados os nomes dos prisioneiros executados e desaparecidos no lugar, denominado "Quartel Terranova" pela Polícia secreta da ditadura.

Segundo os dados oficiais, 4,5 mil prisioneiros políticos passaram pela Vila Grimaldi entre 1973 e 1977.

"Uma ferida que se mostra suja e contaminada não se cura", declarou Michelle Bachelet, cujo pai, um general da Força Aérea que se opôs ao golpe de Pinochet, morreu na prisão em março de 1974.

"Nunca me custou estar aqui", ressaltou a ex-presidente socialista (2006-2010) em declarações após a cerimônia. "Por suposto há emoções, há lembranças que voltam e outras que ficam onde estiveram", completou.

"Voltei hoje também em qualidade de sobrevivente da Vila Grimaldi, o que, por um lado, traz a memória de tudo o que foi vivido por milhares de compatriotas (...). Como assinalamos nestes últimos dias, temos a necessidade de seguir avançando em um reencontro que só é possível sobre a base da verdade e a justiça", concluiu.