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Fluidez de Jason Wu e futurismo de Valvo deram o tom hoje na NY Fashion Week

06/09/2013 20h08

Mateo Sancho Cardiel.

Nova York, 6 set (EFE).- Os desenhos tecnológicos, os jogos geométricos e o "look" ciborgue de Carmen Marc Valvo foram os mais aplaudidos desta sexta-feira, segundo dia da Semana de Moda de Nova York, que ainda teve Rebecca Minkoff destilando o folclore mexicano, um Jason Wu fluído e uma Nautica previsível.

Após um primeiro dia tranquilo, com as marcas BCNGMAXAZRIA e Desigual, as diferentes passarelas da Fashion Week atraíram a atenção e causaram surpresas, desgostos e elogios nas propostas para a primavera de 2014.

Carmen Marc Valvo, de ascendência americana, espanhola e italiana, é uma self made woman que abriu sua primeira loja na 7ª Avenida em 1989. Neste desfile decidiu não olhar para trás e fez uma coleção que mira o futuro.

Com perucas platinadas na raiz ao negro das pontas, com retas e labirínticas transparências em seus vestidos, Valvo maquiniza a mulher, estabelecendo em suas roupas o meio do caminho entre a placa-mãe de um computador e as misteriosas linhas de Nazca, no Peru.

Um desfile que criou um ambiente hipnótico e seduziu a audiência com tecidos empregados como elementos de uma tabela periódica. Experimenta e mistura, até chegar ao tom de um vapor ou de uma emulsão. Dominado pelo branco e preto, mas com alguns elementos fúcsia, sua paleta de cores optou por um trabalho fino e limpo.

Rebecca Minkoff recorreu a raízes que não são as suas, mexicanas, destilando o folclore até temperá-lo. Imprimindo um "Vamos México" em uma de suas camisetas e usando impressos astecas, Minkof conseguiu não se aproximar da armadilha fácil do exotismo.

Cores muito mais apagadas, apesar da inspiração vir da pintora Frida Kahlo, e de frente para o nervo latino, a languidez desta americana se dirige à mulher impiedosamente de classe alta, mas sem esconder sua vocação industrial.

Com uma base de comodidade esportiva em que se sobrepõem telas vaporosas e impressões florais, Minkoff quis que a experiência de seu desfile transcendesse o ir e vir de modelos, e para isso contou com a apresentação ao vivo da cantora Janelle Monae.

Finalmente, a marca masculina Nautica, com sua coleção "Black Sail" apresentou um marinheiro moderno com o pior mal que pode haver em uma coleção: que agradeça pelo modelo tirar a roupa.

No alto-mar jogou com impermeáveis ultraleves e sofisticados, enquanto a parte praiana, por vezes mais próxima ao desmazelado mundo do surfe que ao impecável código do banhista de alto padrão que a marca procura, se entregou ao náilon e ao algodão para criar bermudas, camisas que entram e saem da calça buscando a assimetria que marque a diferença.

Fundada em 1983 por David Chu, a Nautica deu hoje argumentos aos que questionam a Semana da Moda de Nova York por não distinguir em algumas ocasiões entre a moda digna de subir à passarela e a vitrine de uma loja convencional, de servir para marcas e não para verdadeiros criadores.

Talvez por isso, outros designers mais de vanguarda buscam espaço fora da programação oficial, com desfiles mais privados e passarelas criadas sob medida. Alguns dos talentos mais efervescentes, como Thakoon, Philip Lim e Alexander Wang tomaram esta decisão este ano, como o taiwanês-canadense Jason Wu, que apresentou sua coleção fora da NY Fashion Week.

Com uma encenação marcada por luzes neon que interrompiam a retidão proverbial da passarela convencional, o designer de 30 anos aproveitou as possibilidades de sair da tenda oficial para desfilar entre amplas vidraçarias com vista para um prédio tipicamente nova-iorquino.

Wu, um dos favoritos de Michelle Obama, não decepcionou com seu jogo de opostos entre o visionário e o glamour clássico, com seu minimalismo suntuoso e o excelente manejo de texturas, peso e luminosidade dos tecidos.