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Visita do papa leva ao Rio obras de Da Vinci, Caravaggio e Ticiano do acervo do Vaticano

Táia Rocha

10/07/2013 06h12

Ver obras de mestres como Da Vinci, Caravaggio, Ticiano e Guido Reni de perto é um privilégio ao qual, a partir desta quarta-feira (10), milhares de brasileiros terão acesso na exposição de peças do Vaticano em meio à visita do Papa na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

A mostra "A herança do sagrado: obras-primas do Vaticano e de museus italianos", em cartaz no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) reúne 105 obras e está dividida em quatro módulos temáticos: episódios da vida de Cristo; a missão e a vocação dos apóstolos Pedro e Paulo; as representações de Maria e a vida dos santos.

Em entrevista à Agência Efe, a diretora do MNBA, Mônica Xexéo, considerou a mostra como um "marco", já que, segundo ela, pela primeira vez artistas "importantíssimos" para a história universal estarão reunidos em uma exposição no Rio de Janeiro. "Essa será uma exposição única. Possivelmente, nos próximos dez anos, não teremos nada igual ao que estamos vendo hoje", acrescentou a diretora.

Para o curador italiano responsável pela seleção das peças, Giovani Morello, pesquisador que trabalhou na Biblioteca Vaticana por três décadas,essa é "uma oportunidade dada a todos os moradores da cidade aprender em uma única visita o que pode significar toda a história da arte italiana e, especialmente, no que diz respeito à religião".

Para Morello, a mostra é um "curso muito rápido de arte italiana, já que estão representados os maiores artistas, pintores e escultores da história do país". O curador disse que o principal critério de seleção das 105 obras entre as mais de 200 mil peças apenas dos museus do Vaticano foi enfocar "a vida de Cristo, da Virgem Maria e dos santos", o que já excluiu de início as obras de arte clássica grega e italiana, além das etruscas, entre outras.

A maioria das peças - pinturas, esculturas, joias e relíquias - é inédita no Brasil: "95% da exposição ainda não foi vista aqui", acrescentou Morello à Efe.

Apesar de a Igreja Católica ser a maior mecenas da história, grande parte das obras foi criada de forma independente, "a pedido do povo, como forma de contato do povo com a fé", contou o curador.

Logo de início, na sala que retrata a imagem de Cristo, o público terá o privilégio de ver uma peça que compõe o acervo da Sacristia Secreta, uma sala anexa à Capela Sistina e à qual apenas o papa tem acesso.

É o "Mandylion de Edessa", uma têmpera sobre linho colado sobre madeira de cedro com a imagem de Cristo datada do século 3 a 4 dc. com moldura em ouro, prata e pérolas de Francesco Comi (1623).

No "Mandylion" ("tecido" em grego), segundo a tradição católica, a imagem de Cristo não teria sido pintada, mas "se manifestou milagrosamente", de acordo com Morello.

Na mesma sala, o público verá a tela "Salvador Mundi" (século 16), de Leonardo da Vinci, em que o curador apontou uma polêmica entre os historiadores da arte: o globo na palma da mão de Cristo é composto por quatro partes, diferentemente das três retratadas na época - o que indicaria que Leonardo da Vinci saberia da existência da América.

Outro ponto alto da mostra é a obra-prima 'Pietà' de Michelangelo - na verdade, uma réplica de 1975, já que a original foi atacada com um martelo por um homem em 1972 e hoje, restaurada, não deixa o Vaticano.

Sobre a peça, o curador lembrou uma curiosidade: "Contam que é a única obra assinada de Michelangelo (o nome aparece talhado em uma faixa no busto de Maria) porque ele teria visto um grupo de pessoas elogiando a obra e dizendo ser de outro artista" explicou, rindo da postura bastante humana do mestre da arte sacra.

Na mesma sala, um quadro tem especial valor para os brasileiros: a tela pintada a partir da imagem de Nossa Senhora Aparecida, de autor paulista desconhecido e datada de meados do século 20, que foi enviada à Basílica de São Pedro de acordo com a tradição de mandar pinturas e esculturas de santos coroados ao Vaticano.

Candelabros, crucifixos, ícones, bustos e peças como um fragmento decorado de sarcófago com motivo bíblico compõem a exposição, que ocupa todo o segundo andar do museu.

A mostra vai até 13 de outubro e são esperados cerca de 400 mil visitantes - número próximo ao recorde da cidade: 432 mil, na exposição de Claude Monet em 1996.

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