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Joias da arte sacra do Vaticano chegam ao Museu Nacional de Belas Artes

08/07/2013 18h14

Por Táia Rocha.

Rio de Janeiro, 8 jul (EFE).- O Rio de Janeiro está prestes a ver a maior exposição de arte sacra que já recebeu: a partir desta quarta-feira (10), o público terá acesso à mostra "A herança do sagrado: obras-primas do Vaticano e de museus italianos", que integra a programação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA).

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, a diretora do museu, Mônica Xexéo, contou que a casa foi escolhida por uma delegação da Santa Sé e da organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em "pesquisa anônima" - membros da delegação visitaram anonimamente vários museus - e após "passar por uma sabatina".

A mostra, que reúne 105 obras, está dividida em quatro módulos temáticos: episódios da vida de Cristo; a missão e a vocação dos apóstolos Pedro e Paulo; as representações da Virgem Maria e a vida dos santos.

Para o curador italiano Giovanni Morello, pesquisador que trabalhou na Biblioteca Vaticana por três décadas, a mostra é um "curso muito rápido de arte italiana, já que estão representados os maiores artistas, pintores e escultores da história do país".

Em entrevista à Agência Efe, Morello disse que o principal critério de seleção das 105 obras entre as mais de 200 mil peças apenas dos museus do Vaticano foi enfocar "a vida de Cristo, da Virgem Maria e dos santos", o que já excluiu de início as obras de arte clássica grega e italiana, além das etruscas, entre outras.

A maioria das peças - pinturas, esculturas, joias e relíquias - é inédita no Brasil: "95% da exposição ainda não foi vista aqui", acrescentou Morello à Efe.

Apesar de a Igreja Católica ser talvez a maior mecenas da história, grande parte das obras foi criada de forma independente, "a pedido do povo, como forma de contato do povo com a fé", contou o curador.

Logo de início, na sala que retrata a imagem de Cristo, o público terá o privilégio de ver uma peça que compõe o acervo da Sacristia Secreta, uma sala anexa à Capela Sistina e à qual apenas o papa tem acesso.

É o "Mandylium de Edessa", datado do século III a IV dC. No "Mandylium" ("tecido" em grego), segundo a tradição católica, a imagem de Cristo não teria sido pintada, mas "se manifestou milagrosamente", de acordo com Morello.

Outro ponto alto da mostra é a obra-prima 'Pietà' de Michelangelo - na verdade, uma réplica de 1975, já que a original foi atacada com um martelo por um homem em 1972 e hoje, restaurada, não deixa o Vaticano.

Sobre a peça, o curador lembrou uma curiosidade: "Contam que é a única obra assinada de Michelangelo (o nome aparece talhado em uma faixa no busto de Maria) porque ele teria visto um grupo de pessoas elogiando a obra e dizendo ser de outro artista" explicou, rindo da postura bastante humana do mestre da arte sacra.

Na mesma sala, um quadro tem especial valor para os brasileiros: a tela com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, de autor paulista desconhecido e datada de meados do século XX, que foi enviada à Basílica de São Pedro de acordo com a tradição de mandar pinturas e esculturas de santos coroados ao Vaticano.

Para a exposição, que vai até 13 de outubro, são esperados cerca de 400 mil visitantes - número próximo ao recorde de 432 mil da exposição de Monet em 1996.

A entrada será franca, e segundo Mônica Xexéo, "deve haver filas ao lado de fora", já que haverá "limites de segurança de visitação". O horário de funcionamento do museu também será estendido até as 21h.

O valor estimado da exposição, incentivado pela Lei Rouanet, foi de R$ 8 milhões, além dos custos bancados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e pelo Ministério da Cultura (MinC), e todas as obras são seguradas.

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