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Sem ópera com montagem "nazista", Alemanha homenageia 200 anos de Wagner

Deutsche Oper am Rhein, Hans Joerg Michel/AP
Ópera "Tannhäuser" se passa em campo de concentração Imagem: Deutsche Oper am Rhein, Hans Joerg Michel/AP

Gemma Casadevall

Berlim

20/05/2013 07h06

A sombra de Adolf Hitler paira sobre o bicentenário de nascimento de Richard Wagner, uma ocasião que tinha gerado um amplo programa de cerimônias em toda a Alemanha, mas que agora está envolvida no escândalo de um "Tannhäuser" de escabrosa cenografia nazista.

No dia 22 de maio, as atenções serão divididas entre Leipzig e Bayreuth, onde Christian Thielemann dirigirá a festa de gala do bicentenário do nascimento do compositor, uma antessala do acontecimento da esperada estreia do "Anel" do provocador Frank Castorf, em 26 de julho.

Estes eventos fazem parte de uma programação anual dedicada ao maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta, e protagonizada por "wagnerianos 100%", como o diretor argentino-israelense Daniel Barenboim e sua Staatsoper de Berlim, mais alguns neófitos e à espera do novo "Anel do Nibelungo" de Bayreuth, em julho.

Mas de repente surgiu Hitler como convidado inevitável, "infiltrado" em uma ópera não inscrita na primeira divisão do circuito operístico mundial, a Ópera do Reno de Düsseldorf.

Ocorreu a um diretor sem categoria internacional, Burkhard Kosminski, a ideia de encenar a ópera "Tannhäuser" tendo como fundo fornos crematórios e cenas fulminantes tiradas do Holocausto.

Vários presentes à estreia tiveram que receber atendimento médico devido à comoção com as duras imagens, informou a imprensa alemã. A direção da Ópera do Reno decidiu então cancelar a produção, mas mantendo o concerto sinfônico.

De repente, ressurgiram vários casos - ou boatos - sobre Wagner: que em vida foi um áspero antissemita, que o Terceiro Reich fez de suas óperas um apêndice de sua propaganda e que Hitler passeava por Bayreuth (cidade natal do compositor) de braços dados com Winnifred, a nora inglesa de Wagner, e que era mais devota do Führer que qualquer nazista alemão.

Será impossível saber se a suspensão da "Tannhäuser" foi ou não uma medida exagerada, concordam em suas páginas aos jornais "Der Spiegel" e "Süddeutsche Zeitung". A estreia da obra, como tal, só foi vista pela crítica local, já que a imprensa nacional não cobrem todas as produções deste profuso Ano Wagner.

No meio da controvérsia cabe lembrar, disse o "Der Spiegel", que as ligações entre o horror nazista e a música de Wagner são constantes, seja em filmes de Hollywood ou em produções operísticas alemãs.

A "indisposição" de alguns presentes não deveria motivar a suspensão de uma obra: os alemães, que assassinaram seis milhões de judeus, têm que ir ao médico quando isso lhes é lembrado em um palco teatral em 2013, afirmou, ironicamente, o "Spiegel".

Bayreuth, a cidade bávara em cuja colina Wagner construiu seu teatro, tem um longo currículo quanto a escândalos relacionados com o passado nazista.

Em 2012, a poucos dias da abertura da temporada, a direção substituiu do papel protagonista de "Holandês Voador" o barítono russo Yevgeni Nikitin, após a imprensa popular revelar que ele, aos 16 anos, fez uma tatuagem de cunho nazista no peito.

 

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