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"A América Latina hoje é parte do imaginário universal", diz escritor chileno Antonio Skármeta

EFE
Escritor chileno Antonio Skármeta Imagem: EFE

17/05/2013 04h43

O escritor, cineasta, compositor e filósofo chileno Antonio Skármeta, que participa da Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes, iniciada na última quinta-feira (16) em São Paulo, afirmou que a América Latina faz parte agora do imaginário universal.

"Com um papa e uma rainha da Holanda de origem argentina, vários prêmios Nobel de Literatura e famosos jogadores desta parte do continente, há um sentimento de que a América Latina hoje é parte do imaginário universal", afirmou Skármeta em entrevista exclusiva à Agência Efe.

"Não é somente um dado anedótico, versos de uma canção, título de um filme bem-sucedido e um prêmio a mais ou um prêmio menos, é um continente que produz uma variedade de aspectos e realizações culturais, econômicas, políticas e diplomáticas, fato que o situou muito solidamente no panorama mundial", ressaltou.

Apesar de todo esse protagonismo e projeção global da região, o autor e diretor de "Ardente Paciência" (1983), filme que ganhou uma nova versão uma década depois por Michael Radford com o título de "O Carteiro e o Poeta", considerou que não existe na atualidade um estilo próprio que distinga os escritores latino-americanos no mundo.

"Hoje não há uma tendência homogênea para dizer que a literatura latino-americana está nisto ou naquilo, está em muitas coisas, mas isso também não tem nada de errado", declarou o autor de "O Baile da Victoria", levada ao cinema pelo espanhol Fernando Trueba.

Segundo o chileno, com base em suas "leituras" e frequentes visitas a países da região", pode se afirmar categoricamente que na literatura latino-americana de hoje não há uma tendência homogênea ou com grande visibilidade", como na década de 60 e o chamado "realismo mágico" de Gabriel García Márquez e do argentino Julio Cortázar.

"No entanto, a América Latina tem um problema: não há uma política cultural unida, os países estão separados apesar dos pactos e alianças comerciais que não incluem grandes iniciativas de tipo cultural, não há uma 'intraamérica' unida culturalmente", ponderou o escritor.

O intelectual também criticou a falta de um instituto cultural latino-americano como o Cervantes, da Espanha, apesar da existência de agregados culturais e programas nas embaixadas dos países da região fora de suas fronteiras.

O autor da peça "O Plebiscito", ponto de partida do célebre filme "No" (2012), de Pablo Larraín, destacou sua "conexão" com o Brasil, "um cenário fastuoso para qualquer empresa de imaginação".

"Como escritor, me sinto imensamente motivado aqui por causa de sua cultura, seu cinema, sua literatura e, especialmente, por sua música. Por isso não podemos separar o Brasil da América Latina como muitos pensam", completou.

Em qualidade de compositor, Skármeta trabalhou recentemente com músicos brasileiros destacados, como Toquinho, que incluiu a canção "Obra de Arte" em seu último álbum, e Roberto Menescal, que terá em seu próximo disco a versão em português de "Fugaz", outra criação do chileno.

Os jovens músicos Killy Freitas e Blanca Obino, no Rio Grande do Sul, estado fronteiriço com a Argentina e Uruguai, também incluem em seu próximo trabalho fonográfico algumas canções de Skármeta.

"Esse projeto me deixou muito contente e pode ser que, em novembro, apresentemos o trabalho conjunto em público antes de gravar o álbum do próximo ano", adiantou o escritor.

A 30º edição da Feira do Livro do Colégio Miguel de Cervantes, que espera receber 4 mil visitantes até o próximo sábado, tem Skármeta como principal convidado e homenageado.

"Imagine a alegria que pode sentir um criador que trabalha com a língua espanhola se conectar em um encontro com jovens brasileiros através do idioma, que é minha ferramenta de trabalho", finalizou o autor.

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