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Primeiros exames confirmam que Pablo Neruda tinha câncer avançado

Justiça do Chile/AP
8.abr.2013 - Especialistas cavam sepultura de Neruda em Isla Negra Imagem: Justiça do Chile/AP

02/05/2013 12h30Atualizada em 02/05/2013 15h12

Os primeiros exames no corpo do prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda concluem que o poeta chileno sofria de um câncer de próstata avançado e metastásico, segundo confirmaram à Agência Efe fontes do processo.

O relatório dos exames radiológicos e histológicos pelo Serviço Médico Legal do Chile foi entregue hoje ao juiz Mario Carroza, que instrui a causa para determinar o verdadeiro motivo da morte de Neruda.

Para esclarecer os fatos, os restos do poeta (1904-1973) foram exumados no dia 8 de abril do túmulo em que jaziam desde 1992 com os de Matilde Urrutia, sua terceira esposa, ambas situadas frente ao mar de Ilha Negra, no litoral do Chile.

Uma linha de investigação aponta a que Neruda morreu devido à metástase do câncer de próstata, mas uma segunda afirma que a morte foi ocasionada pela intervenção de terceiros quando estava hospitalizado na Clínica Santa Maria de Santiago, dias depois do golpe militar de 1973.

"Além de ser ter estabelecido que Neruda tinha um câncer de próstata, o principal aqui é determinar se ele foi realmente assassinado por meio de uma injeção letal enquanto permanecia internado na Clínica Santa Maria", declarou hoje à Efe Eduardo Contreras, advogado querelante nesta causa.

"Neste sentido, o importante são as mostras ósseas que serão enviadas aos Estados Unidos", acrescentou.

A suspeita de que enquanto estava hospitalizado Neruda foi envenado por agentes da ditadura do general Augusto Pinochet foi tornada pública em 2011 pelo ex-chofer do poeta, Manuel Araya, que há um mês reiterou à Efe que o artista "foi assassinado e não morreu de câncer".

Segundo o advogado que moveu a ação, Eduardo Contreras, são tantas as contradições que existem no processo sobre o que aconteceu na clínica Santa Maria que fica uma legítima dúvida sobre se morreu de câncer.

Pablo Neruda foi internado nesse hospital em 19 de setembro de 1973 e morreu quatro dias depois. Os mais próximos que estiveram com ele naqueles dias na clínica, concordaram que o poeta estava visivelmente abalado pelos incidentes que aconteceram depois do levante militar em 11 de setembro. Neruda morreu há 40 anos, logo após o golpe de Estado que colocou o general Augusto Pinochet no poder.

Na ocasião, sua morte foi atribuída a um câncer de próstata. Um assessor do poeta, porém, tem defendido que ele recebeu uma injeção letal por ordem de Pinochet.

Porém, tanto seu ex-chofer como sua esposa Matilde Urrutia sempre sustentaram que Neruda pretendia abandonar a clínica no dia 24 para viajar ao México, país que havia lhe dado asilo político.

A ficha clínica de Neruda permanece até hoje desaparecida. De acordo com os querelantes, a clínica Santa Maria se negou a entregar a lista de todo o pessoal que emprestava serviços em 1973.

Sobre a causa de morte do prêmio Nobel, existem opiniões achadas. A parte querelante se inclina porque o poeta foi assassinado, em tanto que alguns de seus mais próximos sustentam que morreu a causa do avançado câncer que padecia.

Entre esses últimos estão a ex-vice-ministra do Trabalho do governo de Salvador Allende Aída Figueroa e o médico Francisco Velasco, que detectou o câncer de Neruda em 1969.

No entanto, a Fundação Pablo Neruda que administra todos os bens do chileno, se opôs inicialmente à exumação dos restos argumentando que não desejava que se seguisse investigando sobre a causa de sua morte.

Segundo fontes do processo, no fim a fundação colaborou com as perícias para esclarecer o que provocou a morte do poeta.

O juiz Mario Carroza deve decidir agora sobre a admissibilidade do pedido do reclamante de interrogar vários médicos processados pela morte do ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva, que segundo estabeleceu o juiz chileno Alejandro Madri foi envenenado na mesma clínica Santa Maria em janeiro de 1982.

O ex-mandatário morreu em 22 desse mês vítima de uma septicemia generalizada.

Alguns dos médicos processados por esse motivo faziam parte do quadro de funcionários do hospital quando Neruda esteve internado e também eram membros da Direção de Inteligência Nacional (Dina), o organismo repressivo da ditadura.

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