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Socialismo do século 21 morreu com Chávez, diz Vargas Llosa no Rio

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Mario Vargas Llosa é uma das principais atrações do Fronteiras do Pensamento Imagem: EFE/Zipi

19/04/2013 03h20

O socialismo do século 21 começou a desaparecer com a morte do seu ideólogo, o presidente venezuelano Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura de 2010.

"Com o comandante Chávez morreu o socialismo do século 21 através de uma eleição que acabamos de ver. O povo venezuelano reagiu", disse Vargas Llosa em um auditório no Cine Odeon, no Centro do Rio.

O escritor peruano afirmou que o resultado das eleições presidenciais do último domingo, nas quais o presidente interino, Nicolás Maduro, derrotou por estreita margem o candidato opositor, Henrique Capriles, mostra que "o populismo começou a retroceder" na América Latina.

"Equivocam-se os que pensam que a América Latina está entre a democracia e o populismo autoritário", manifestou o romancista na conferência intitulada "A Nova Era da Incerteza - Para Compreender o Século 21", organizada pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).

Vargas Llosa, um fervoroso defensor da liberdade e da democracia, disse que a história recente da Venezuela é a de "um regime populista" guiado por "um caudilho messiânico" que com petrodólares tentou exportar seu modelo de socialismo a alguns outros países da região e que conseguiu "semear a confusão na América Latina".

"O socialismo do século 21 é uma ficção ideológica que não se diferencia do socialismo autoritário que encarna Cuba", manifestou.

Vargas Llosa ressaltou que "a democracia na América Latina já não é frágil" como há algumas décadas, e acrescentou que, a partir de sua perspectiva de escritor, nesta região há mais motivos para o otimismo que para o pessimismo.

"Na América Latina, em nossos dias há um rumor de progresso, uma música que desconhecíamos até pouco tempo atrás", expressou Vargas Llosa, que ressaltou que "o caminho do verdadeiro progresso é o da liberdade, não o da intolerância".

O escritor convidou os latino-americanos a renunciarem à utopia da sociedade perfeita, na qual todos sejam felizes, porque, assegurou, "isso não existe".

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