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Perfume de Mujica representará o Uruguai na Bienal de Veneza

Roberto Jayme/Reuters
Presidente do Uruguai, José Mujica Imagem: Roberto Jayme/Reuters

05/04/2013 10h06

Um exclusivo perfume concebido com essência das flores e ervas que crescem na casa do presidente do Uruguai, José Mujica, famoso por seu modo de vida simples, representará o país sul-americano na próxima Bienal de Veneza.

O perfume de "Pepe", como o líder é popularmente conhecido, é um projeto do artista Martín Sastre que resultará na elaboração de apenas de três frascos, um dos quais será apresentado e leiloado com fins beneficentes durante a "bienal mundial da arte contemporânea", como afirmou o próprio criador à Agência Efe.

No poder no Uruguai desde março de 2010, Mujica é um veterano ex-guerrilheiro tupamaro de 77 anos, reconhecido por seu desapego às formalidades.

Em sua chácara situada nos arredores de Montevidéu, que foi transformada na residência presidencial, Mujica cultiva flores para vender nos mercados locais.

A ideia original de Sastre, que busca uma reflexão sobre o luxo e a essência das coisas ao contrapor o "monopólio" de um perfume com a imagem simples de Mujica, foi exposta em uma propaganda de TV apresentada no último mês de novembro na Bienal de Montevidéu.

No entanto, a fragrância não tomou corpo até que Sastre recebesse há um mês o convite para ir à Bienal de Veneza, que será inaugurada no próximo dia 1º de junho, o que forçou o artista a correr contra o tempo para criá-la.

"Mujica e sua mulher, (a senadora) Lucía Topolansky, foram muito receptivos. O único problema é que são muito ocupados. Apesar de tudo, eu consegui ir até sua chácara e coletar com eles as plantas", explicou.

Desta forma, ao lado do líder e sua esposa, o artista recopilou os ingredientes do que será um produto "artístico" único, entre os quais destacou a "chirca" e o "yuyo", uma erva daninha característica do Uruguai que cresce em abundância na horta do presidente e que tem boas propriedades para a perfumaria.

"Desde que tive essa ideia do perfume, pesquisei muito e descobri que a 'chirca', que no Uruguai é considerada como mato porque não serve para alimentar o gado, produz um óleo ótimo que muita gente produz de forma artesanal e vende aos perfumistas na França. Quando disse isso a Mujica, ele ficou assombrado", relatou Sastre.

Com essas plantas, o artista uruguaio criará uma fragrância que "terá o cheiro do Uruguai", já que está feito com "plantas que são nativas". Apesar de ninguém dar valor a elas, ambas as essências "têm um montão de propriedades e servem para tudo".

"É um pouco como o Uruguai, uma erva à qual ninguém dá importância, mas que pode se consagrar ao sair campeã do mundo (de futebol)", brincou.

Esse traço uruguaio também ficará patente, segundo Sastre, na forma de realizar este projeto, já ele pretende demonstrar que neste pequeno país sul-americano "não há ninguém inalcançável" e, por isso, é possível andar com o presidente "para colher yuyos".

A acessibilidade de Mujica, no entanto, contrasta com o monopólio do produto, cujas três unidades serão destinadas ao comprador do leilão que será realizado em Veneza, ao presidente e sua esposa e outra ao próprio Martín Sastre.

O grande público terá que conhecer a fragrância do perfume em uma apresentação pública que será realizada em Montevidéu antes de Sastre embarcar para a Itália.

Com o dinheiro que o perfume arrecadará em Veneza, o artista pretende criar um fundo de ajuda à produção artística uruguaia.

Nascido em Montevidéu em 1976 e residente em Madri, Sastre é um artista audiovisual que no cinema dirigiu "Miss Tacuarembó" (2010), um musical protagonizado pela atriz uruguaia Natalia Oreiro.

Após participar da última edição da Bienal de Veneza, Sastre agora se mostra muito entusiasmado com esta nova oportunidade e se sente, segundo ele mesmo, como o atacante (Diego) "Forlán defendendo um projeto que literalmente se chama Uruguai".

"Esta ideia já teve muita projeção durante a Bienal de Montevidéu (a primeira destas características na capital uruguaia), o que, sem nenhuma dúvida, está ligado à figura do presidente e sua forma de vida", indicou o artista uruguaio.

"De fato, chegaram a comparar o novo papa Francisco com Mujica. Mas, que fique bem claro que esse não é um perfume do papa, mas um perfume do 'Pepe'", ironizou Sastre.

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