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Museu da Armada de Paris inaugura mostra pluralista sobre Napoleão

Busto de Napoleão Bonaparte de 1803, aproximadamente, no estilo do escultor Antonio Canova (1757-1822), exibido na mostra "Napoleão e Europa", no Museu da Armada de Paris - REUTERS/Charles Platiau
Busto de Napoleão Bonaparte de 1803, aproximadamente, no estilo do escultor Antonio Canova (1757-1822), exibido na mostra "Napoleão e Europa", no Museu da Armada de Paris Imagem: REUTERS/Charles Platiau

Estíbaliz Ortiz de Orruño

Paris

27/03/2013 11h28

O Museu da Armada de Paris inaugurou nesta quarta-feira uma exposição que aborda a figura do imperador Napoleão Bonaparte de um ponto de vista pluralista em relação ao restante dos países europeus, a qual destaca um esboço do pintor Francisco de Goya sobre o fatídico 2 de maio de 1808 em Madri.

Reunindo 250 obras vindas de aproximadamente 50 museus, a exposição "Napoleão e Europa" pretende não só apresentar um testemunho da ambição europeia de Napoleão entre 1793 e 1815, mas também retratar as múltiplos reações que surgiram em toda Europa, tanto de adesão como de resistência.

Emilie Robbe, curadora da mostra, explicou à Agencia Efe que a ideia é "revelar ao público francês uma visão totalmente nova e que não se reduz a um olhar 'francocêntrico', mas busca um cruzamento de todos os olhares sobre Napoleão".

De acordo com Elilie, "a exposição confronta peças vindas de toda Europa para fazê-las dialogar entre si, sendo que esse diálogo aborda as distintas partes do conflito que rege esta exposição cronológica".

Ao longo do percurso, a propaganda se mostra com grande valor, tanto de um lado como do outro, no que supõem símbolos para promover o poder do novo imperador francês no mundo todo, mas também para zombar dele ou para apresentá-lo como um agressor, como ilustram as caricaturas expostas, muitas delas inglesas.

Espanha e a Guerra da Independência (1808-1814) travada por esse país contra a invasão francesa também ocupam um espaço nessas reações europeias através de vários objetos.

O mais destacado deles é um esboço do pintor espanhol Francisco de Goya sobre a revolta popular contra as tropas napoleônicas no dia 2 de Maio de 1808 em Madri, que foi cedido temporariamente pelo museu Ibercaja de Zaragoza.

A mostra também traz alusões ao assédio desta cidade, símbolo da resistência espanhola, em diversos quadros, assim como retratos de época dos heróis locais, como Agustina de Aragón, assinado pelo artista Juan Gálvez.

A Batalha de Vitoria (21 de junho de 1813), que completa 200 anos e que supôs o início da derrocada da aventura napoleônica na Espanha, aparece refletida em uma caricatura feita em Londres pelos aliados britânicos, que se felicitam pelo golpe que supôs a disputa para as tropas francesas.

"Nesta coleção há de tudo: quadros e esculturas muito conhecidos, mas também coisas completamente inesperadas e inéditas, como pequenos leques, caricaturas, joias e armas muito insólitas", detalhou a curadora.

Entre estas peças, se encontra o uniforme usado pelo almirante Nelson na batalha de Trafalgar (1805), que aparece descosturado no ombro esquerdo por causa de uma bala francesa que atingiu o herói britânico, a mesma que lhe causaria a morte.

"Napoleão e Europa" também apresenta ao público o enorme quadro do pintor francês Jacques Louis David, o qual representa Bonaparte vestido com seu uniforme sobre um cavalo branco e com o braço estendido.

Esta obra constitui um dos retratos mais conhecidos de Napoleão e, contraditoriamente, foi ordenada pelo rei espanhol Carlos IV, "impressionado pela aura" do novo líder europeu, segundo os organizadores, antes que as relações entre ambos os países se deteriorassem.

Um quadro assinado pelo artista britânico Thomas Buttersworth representa o início da batalha de Trafalgar (1805), na qual a frota franco-francesa perdeu 20 navios de um total de 33 e que supôs o começo do conflito entre ambas as potências.

A mostra "Napoleão e Europa" ficará aberta ao público no Museu da Armada, no parisiense Hotel dos Inválidos, até o próximo 14 de julho, coincidindo com a festividade nacional, que lembra a tomada da Bastilha em plena Revolução e o começo da 1ª República da França.