Morre nigeriano Chinua Achebe, "pai da literatura africana moderna"

De Londres

O escritor nigeriano Chinua Achebe, considerado o pai da literatura africana moderna, morreu aos 82 anos, segundo confirmou nesta sexta-feira (22) a editora britânica Penguin, que não divulgou mais detalhes sobre o fato.

Achebe conseguiu um grande sucesso com sua obra de estreia, "Quando tudo se desmorona", de 1958, que vendeu mais de dez milhões de exemplares.

Segundo a emissora pública britânica "BBC", o romancista e poeta, nascido na Nigéria em 1930, vivia nos Estados Unidos desde os anos 90.

Achebe escreveu mais de vinte obras, algumas abertamente críticas à política nigeriana. Um porta-voz do estado natal do escritor, Anambra, disse à "BBC" que o estado estava de luto "por seu filho ilustre".

A escritora sul-africana e Prêmio Nobel Nadine Gordimer o descreveu como "o pai da literatura africana moderna" em 2007, quando Achebe recebeu o prêmio Booker internacional por sua obra literária.

"Quando tudo se desmorona", traduzido para mais de 50 idiomas, explora as tradições da sociedade Igbo e a tensão entre os valores locais e a visão ocidental trazida pelo colonialismo.

No ano passado, Achebe publicou uma esperada memória sobre a brutal guerra de Biafra, quando a região Igbo tentou se separar da Nigéria, em 1967.

O livro "There was a country: a pessoal history of Biafra" relembra suas vivências nesse doloroso período da história da Nigéria, quando ele fez parte do Ministério de Informação de Biafra e desempenhou funções diplomáticas até o fim da guerra.

Após deixar seu país, o escritor trabalhou como professor nos Estados Unidos e em 1990 sofreu um acidente de carro que o deixou com problemas motores.

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