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Macedônia reconstrói a universidade mais antiga da Europa

10/03/2013 07h11

Ivan Blazevski.

Ohrid (Macedônia), 10 mar (EFE).- Após cinco séculos sem atividade docente, a universidade de São Clemente, na idílica cidade turística de Ohrid, na Macedônia, voltará a ser em dois anos o que era, um centro de estudos teológico, uma vez finalizada a reconstrução desta pérola arquitetônica do século IX.

A universidade de São Clemente é considerada pelos arqueólogos macedônios como a mais antiga da Europa, superando em mais de um século e meio a italiana de Bolonha, fundada em 1088 e a mais velha em uso da Europa.

A universidade recebeu o nome de São Clemente, Sveti Kliment em macedônio, por conta do bispo eslavo ortodoxo (814-916), escritor e historiador e pai do alfabeto cirílico.

A universidade contava, a cada ano, cerca de 3.500 discípulos para estudar teologia, matemática, literatura, química, biologia e física.

Construídos sobre uma colina, os edifícios deste centro educativo dominavam o resto das grandes edificações da cidade de Ohrid, situada nas margens do lago com o mesmo nome, que a Macedônia compartilha com a Albânia.

Durante a invasão otomana muçulmana no século XV, a universidade ficou destruída.

"Agora estamos pondo argamassa nos alicerces. Trabalharemos sem cessar durante 26 meses até terminar tudo em 2015", explica à Agência Efe, Tanja Paskali, diretora dos museus de Ohrid.

Outras máquinas pesadas escavam o terreno sobre o qual se construirão os novos edifícios, cujo custo é calculado em 10 milhões de euros, segundo fontes do Governo macedônio.

No meio do novo complexo, com vistas para os lago e para as montanhas da vizinha Albânia, está a igreja ortodoxa de São Pantaleón, do período bizantino, onde estão os restos mortais de São Clemente.

Parte do complexo abrigará um mosteiro, a sede regional da igreja ortodoxa macedônia, a faculdade de ciências religiosas, um museu, a biblioteca e um centro de conservação de ícones.

Após o fim do inverno, Ohrid se transforma no principal centro turístico deste pequeno país balcânico de dois milhões de habitantes.

As ruínas arqueológicas da universidade de São Clemente localizadas na colina Plaosnik são uma atração para os turistas, que além disso visitam a parte antiga e no verão se banham nas águas cristalinas do lago.

"É legal que tenham decidido reconstruir a universidade. Acho que dará mais respiro à cidade, mas devem cuidar do meio ambiente, já que construirão muitos edifícios", diz Sane, uma turista holandesa enquanto olha o plano do projeto.

A cidade de Ohrid - com cerca de 50 mil habitantes- e o lago são classificados como patrimônio da humanidade pela Unesco e qualquer nova construção deve respeitar os rigorosos critérios estabelecidos pela Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura.

A diretora dos museus de Ohrid afirma que o projeto de reconstrução da universidade não danificará o meio ambiente, como o polêmico complexo luxuoso turístico que um empresário indiano deve edificar às margens do lago, o mais profundo dos Bálcãs (288 metros), e também um dos mais antigos do mundo, junto com o Titicaca e o lago Baikal.

Sua conservação foi objeto de debate entre os partidos políticos que concorrerão nas próximas eleições administrativas de 24 de março.