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Espectadores pelados visitam mostra em Viena sobre nudez masculina

Heinz-Peter Bader / Reuters
18.fev.2013 - Espectadores pelados comparecem a exposição sobre nudez na Áustria Imagem: Heinz-Peter Bader / Reuters

18/02/2013 19h41Atualizada em 18/02/2013 20h09

Dezenas de nudistas foram nesta segunda-feira (18) ao museu Leopold, no Bairro dos Museus em Viena, para contemplar a exposição "Homens nus", que conta a história da representação do corpo masculino na arte.

Esta jornada "particular" da arte, voltada apenas para adultos, é realizada fora do horário regular de funcionamento do museu. Aberta até 4 de março, a exposição reúne mais de 300 quadros, fotos e esculturas que exploram a nudez masculina. O objetivo é chamar a atenção para o fato de que estes elementos sempre estiveram presentes na história da arte.

"Recebemos várias propostas de organizações nudistas e decidimos preparar uma exposição para eles. Somos uma galeria liberal e nos pareceu que não haveria problemas", disse Klaus Pokorny, o porta-voz do museu. "Isso é uma atividade única, não pensamos em criar eventos especiais para nudistas."

A polêmica gerada por "Homens nus" -- exposição mais visitada da galeria Leopold em 2012 -- ajudou a aumentar em 17% o número de visitantes do museu, que chegou a 364 mil.

Os nudistas que foram à mostra nesta segunda-feira, em sua maioria homens, encararam a proposta da exposição com naturalidade e não hesitaram em tirar tudo o que vestiam e andar pelas salas assim como vieram ao mundo. Com exceção de alguns "friorentos" que quiseram ficar de meias.

"É uma experiência única, nunca tinha participado de algo assim", explicou à Christoph, um dos visitantes. "Espero que mais eventos assim sejam organizados porque não fazem mal a ninguém", acrescentou.

David, um jovem austríaco de 19 anos, destacou: "Por um dia me senti como uma obra de arte entre obras de arte. É uma sensação nova estar aqui, sem nada, em uma exposição sobre a nudez masculina".

A presença de muitos jornalistas e dos flashes incomodaram alguns nudistas, que percorreram com indiferença, mas da forma mais rápida possível, as duas primeiras salas, as únicas às quais a imprensa tinha acesso.

A surpresa e a curiosidade saltavam aos olhos dos turistas e dos moradores da cidade, que pararam em frente ao museu para ver o que acontecia lá dentro.

Um americano que vive em Viena há anos afirmou que nos Estados Unidos tal exposição seria impensável: "Com certeza todos acabariam na prisão", disse. "A própria exposição sobre o nu masculino certamente seria impossível", acrescentou.

Em Viena, a exposição "Homens nus" é motivo de polêmica e até "se autocensurou" em outubro de 2012 em um prospecto no qual três homens completamente nus promoviam a mostra. A foto gerou tantos protestos que o museu decidiu cobrir as partes íntimas dos modelos com uma chamativa tarja vermelha em muitas das cópias do folheto promocional distribuído pela cidade.

Apesar de a nudez masculina ser tão antiga quanto a arte, a maioria das obras retrata o nu feminino, como denuncia há anos o grupo de artistas americanos "Guerrilla Girls". "Menos de 5% dos artistas nos museus de arte contemporâneo são mulheres, mas 85% das obras de nudismo abordam o corpo feminino", criticam.

Também em Viena, há um século, o pintor austríaco Egon Schiele já escandalizava com seus "nus descarnados". E o museu Leopold, que gerou polêmica com a exposição em cartaz, conta com a maior coleção de obras de Schiele e já havia oferecido, em 2005, entrada gratuita para visitantes que quisessem tirar as roupas para ver a exposição "A verdade nua: Klimt, Schiele, Kokoschka e outros escândalos".

Esse episódio foi um sucesso e atraiu centenas de pessoas que visitaram a exposição de maiô ou completamente sem roupa.

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