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Folia ultrapassa barreiras de Recife e Olinda e chega ao interior do PE

11/02/2013 20h57

Ricardo Silva Diniz.

Recife, 11 fev (EFE). - Um folião mais desavisado pode pensar que o carnaval em Pernambuco está restrito a Recife e Olinda, mas os próprios moradores de cidades menores e a Secretaria de Turismo do estado estão se esforçando para derrubar barreiras e levar cada vez mais visitantes ao interior.

Um exemplo de festa pouco conhecida fora das fronteiras pernambucanas acontece em Nazaré da Mata. Essa pequena cidade de cerca de 30 mil habitantes e que fica a pouco mais de 60 quilômetros de Recife recebe em toda segunda-feira de Carnaval o tão esperado Encontro dos Maracatus.

Nesse dia, centenas de pessoas vestem suas fantasias de "caboclo de lança", figura típica do folclore local, e se distribuem em dezenas de blocos que realizam cortejos na principal praça da cidade. Animados por orquestras de percussão e sopro, adultos, idosos e crianças - carregando lanças do dobro do seu tamanho - saem todos ornamentados às ruas para honrar uma tradição e encantar os turistas.

Muito mais que uma manifestação cultural, o maracatu rural é uma herança secular que os trabalhadores de Nazaré da Mata passam para as próximas gerações e que já chegou até mesmo ao Rio de Janeiro, como prova o caso da designer carioca Ayla Tavares.

Ayla fez um trabalho de conclusão de curso na faculdade sobre o maracatu e gostou tanto que se aprofundou nas raízes dessa festa e, nos últimos dois anos, deixou de lado a folia do Carnaval do Rio para encarar o desafio de vestir uma fantasia típica e participar do Encontro dos Maracatus.

"A fantasia pesa cerca de 30 quilos e é aveludada por dentro. É um calor insuportável. Mas a festa é tão bonita que todo sacrifício vale a pena", disse Ayla à Agência Efe.

Um pouco mais longe, a 100 quilômetros de Recife, em Bezerros, as estrelas do Carnaval são os papangus. Originalmente eram figuras grosseiras e temidas que acompanhavam as procissões religiosas, tocando trombeta e dando chicotadas em quem atrapalhasse o cortejo. Hoje são foliões que usam máscaras feitas com cola e jornal e enchem as ladeiras da cidade de 60 mil habitantes de música e cores.

Uma versão popular, por outro lado, diz que os papangus foram criados pelos homens que queriam fugir do cerco de suas esposas durante a festa e se escondiam sob as fantasias, que cobrem totalmente o corpo do folião da cabeça aos pés.

Seja qual for a origem, a festa é bonita, e a Casa do Papangu é uma atração à parte. O local foi criado exclusivamente para a realização de oficinas para a confecção das máscaras. Durante a semana pré-carnavalesca, crianças da rede municipal de ensino e idosos estiveram lá para aprender a fazer suas próprias máscaras para a folia.

"A oficina é importante justamente para retomar a tradição dos Papangus. Até pouco tempo, muita gente de Bezerros usava outro tipo de fantasia e agora estamos mostrando para as crianças como é fácil fazer sua própria máscara e passar esse ensinamento adiante", declarou à Efe Vânia Alves, uma das coordenadoras das oficinas.

Cerca de 80 pessoas participaram das atividades antes do Carnaval e, segundo Vânia, a intenção é continuar as oficinas e levar as máscaras para serem vendidas nos centros de artesanato da região e divulgar ainda mais a festa da cidade para atrair visitantes.

A estratégia tem tudo para dar certo. No último domingo, ponto alto do Carnaval em Bezerros, a cidade já precisou de um esquema de segurança digno de uma capital de estado. Além das equipes do Detran e do Corpo de Bombeiros auxiliando no controle do trânsito, 1,2 mil homens das polícias Civil e Militar, divididos entre os dias de festa, cuidaram da segurança dos foliões.

A intenção de atrair cada vez mais gente é compartilhada pelos turistas e pelas autoridades locais. "Temos o Brasil percebendo que o Carnaval do interior é tão bom quanto o Carnaval que o Brasil conhecia como Olinda e Recife", disse o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, aos jornalistas reunidos para cobrir o desfile dos papangus.

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