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Palácio Salvo, símbolo de Montevidéu, tenta recuperar seu esplendor

09/02/2013 06h03

Montevidéu, 9 fev (EFE).- Entre os telhados do centro de Montevidéu se encontra o Palácio Salvo, o edifício mais emblemático e que, coincidindo com seu 85° aniversário e com o título da cidade como Capital Ibero-Americana da Cultura 2013, está disposto a recuperar seu passado esplendoroso.

"O Salvo é um ícone deste país, temos pendente uma reunião para estudar os efeitos de transformar o local em um marco histórico", explicou à Agência Efe Héctor Lescano, presidente da Comissão de Montevidéu Capital Ibero-Americana da Cultura, que procura "concretizar sua conservação como verdadeiro patrimônio".

Situado na Praça Independencia, a alguns metros da sede do Governo, suas altas torres de aspecto gótico e misterioso marcam a paisagem da cidade, um aspecto imponente que oculta a decadência de seu interior após anos de má gestão.

O prédio acumula dívidas por falta de pagamento de 68 milhões de pesos (mais de US$ 3,5 milhões) e sofre pela falta de restauração e manutenção, uma realidade que a comissão administradora do edifício quer inverter.

De fato, uma das primeiras medidas será negociar a redução dessa dívida para poder enfrentar outros problemas nas estruturas.

Assim, entre outros projetos, se analisa o de erguer um mirante na parte mais alta do edifício para que turistas e curiosos, que sempre olham com assombro suas alturas, possam contemplar a espetacular vista da cidade de seu topo.

Detrás deste novo marco na história do edifício, se encontra Abelardo García Vieira, um historiador de 75 anos e atual presidente da comissão administradora do edifício, que desde criança sente uma fascinação sem igual por este símbolo de excelência de Montevidéu.

"Quando eu era criança, em um dia de inverno, saía de um café em Montevidéu com o meu pai e, estranhamente, começou a nevar. Eu olhei para cima e vi a torre do Palácio Salvo, como um conto de fadas, e eu disse: quero viver ali", disse à Agência Efe.

E Vieira conseguiu: reside há 45 anos no apartamento 17 do imóvel, de onde observa as idas e vindas dos moradores da cidade e turistas.

Com uma superfície de mais de 20 mil metros quadrados, 70 metros de altura e uma população flutuante diária de cerca de 2,5 mil pessoas, o Palácio Salvo foi durante muitos anos o edifício mais alto da América do Sul.

O terreno sobre o qual foi construído em 1928 pertencia ao bar La Giralda, onde estreou o imortal tango "La Cumparsita", em 1917.

Cinco anos depois, os irmãos Salvo, genoveses que fizeram fortuna no setor têxtil, decidiram como agradecimento ao sucesso que tiveram em suas idas para Montevidéu, levantar um edifício monumental para a cidade.

O arquiteto italiano Mario Palanti, que também construiu o edifício irmão do Salvo em Buenos Aires, o Palácio Barolo, situado na Avenida de Mayo, foi o responsável pelo projeto.

O edifício uruguaio apresenta um estilo arquitetônico eclético, com influências do neogótico e o neo-renascimento.

Além disso, contém elementos decorativos com temas de flora e fauna, embora restem poucos deles atualmente, por culpa da deterioração da construção e de diversos roubos sofridos na década passada.

Testemunha privilegiada da história do Uruguai, foi construído em uma década de bonança e esplendor do país. Um período que parece ter ficado distante para o edifício, que na atualidade "está um desastre", como lamenta o escritor Eduardo Roland, também proprietário de um apartamento dentro do Salvo.

Roland acredita que isto se deve ao fato de que, na cidade, o patrimônio não é valorizado, como fica evidente pela constante demolição de casarões antigos para construção de apartamentos.

"Vivemos em uma sociedade que tem pouca história e existe falta de consciência", argumentou.

O primeiro passo para a reconversão do edifico ocorreu o novembro, quando se retirou a enorme antena de televisão que dominava o Palácio.

Essa gigante estrutura de ferro, já inútil, vibrava e gerava fendas no edifício, provocando goteiras e desprendimentos que se acrescentavam à deterioração que a torre já sofria.

Sem essa carga, a torre começa a olhar de novo sobre o Rio da Prata com renascido orgulho e uma maior esperança para o futuro.

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