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Cineastas do Equador combatem pirataria com ajuda dos "piratas"

22/12/2012 06h19

Quito, 22 dez (EFE).- Um paradoxal "pacto tácito" entre produtores de cinema equatorianos, vendedores informais e espectadores procura combater a venda ilegal de DVDs e democratizar a sétima arte local com a comercialização de produtos originais em centros de distribuição piratas, algo impensável em outras nações.

Assim afirmou à Agência Efe a cineasta equatoriana Tania Hermida, para quem isto se tornou possível, entre outras razões, pelo interesse dos artistas locais em recuperar pelo menos os custos das produções.

A proliferação de discos copiados ilegalmente no país superou a inicial vigilância pessoal de produtores de cinema equatorianos e seus amigos que, para evitar a comercialização das obras copiadas ilegalmente, peregrinavam por lojas de discos piratas.

"Nos demos conta de que as lojas não funcionam sozinhas, são uma grande rede" e entre elas circulou a informação sobre os "controles operacionais" em 2007, o que "alertou" os vendedores, embora não tenha freado a pirataria, explicou.

A partir disso, as pessoas que trabalham na indústria do cinema decidiram então se aprofundar em uma campanha de sensibilização sobre a produção nacional e fazer com os piratas uma "aliança estratégica", embora "paradoxal", para que sejam vendidas cópias originais a um preço acessível para o público.

No Equador, os discos piratas não são apenas vendidos nas ruas ou na saída de shows, mas em lojas que atendem um público fiel como qualquer outra.

É possível encontrar cópias piratas inclusive por US$ 0,50, mas os originais mais baratos, que nascem do "pacto" com os cineastas nacionais, custam quase US$ 5.

"É trágico ver como em outros países há uma separação taxativa entre produtores de cinema e este circuito pirata onde os filmes circulam sem pagar direitos", disse Tania, uma das mais importantes cineastas do Equador.

Segundo ela, todos ganham com o "pacto", pois "piratas" e produtores saem lucrando enquanto um público mais amplo pode ter acesso às obras em cópias originais, algumas inclusive com documentação do processo de filmagem, preparando assim o que Tania chama de "pedagogia coletiva".

Em sua opinião, outro fator fundamental para a "aliança" foi o fato dos produtores não terem um lucro indiscriminado, mas buscam que a atividade seja rentável para que siga fazendo cinema e, além disso, que a mensagem "atinja" o público.

Embora pareça um pouco "louco", tudo funciona "por um pacto tácito da sociedade" que envolve produtores, espectadores e distribuidores de DVDs, em um "cenário de equilíbrio complexo e difícil", já que nas lojas ainda são vendidos filmes estrangeiros piratas, declarou.

"É um fenômeno tão grande, o do DVD pirata, em todos os países que, de algum modo, o Estado perdeu essa batalha e não quer ver, porque é um tema tabu para uma boa parte dos estados", comentou.

O "pacto" no Equador é "pelo menos" um primeiro passo para democratizar o cinema, segundo Tania, que embora não compre DVDs piratas, vê "uma boa parte do cinema independente" em discos ilegais de seus amigos, confessou.

"É evidente que perante a falta de oportunidades que oferece o mercado, é preciso encontrar outra solução", que neste momento não cumpre com as normas de direito de autor, "mas garante outra: o direito de acesso à cultura, à diversidade", ressaltou.

O grande contra-senso é que grande parte dos "filmes que as pessoas desejam ver", de acordo com Tania, é encontrada apenas em cópias piratas, por isso que se requer seguir buscando fórmulas que garantam os direitos autorais de propriedade intelectual, mas também o acesso à diversidade cultural, apontou.

Ser "puristas" não soluciona o problema, opinou Tania, que acaba de lançar o DVD de seu filme "En el nombre de la hija", o segundo após "Que tan lejos", amparados pelo "pacto", que é definido como um passo "gigante" e de "difícil" definição a longo prazo.

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