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Niemeyer, o gênio dos traços curvilíneos, descansa em paz no Rio

08/12/2012 06h51

Jaime Ortega Carrascal.

Rio de Janeiro, 7 dez (EFE).- O Rio de Janeiro se despediu nesta sexta-feira, com orações e música, do arquiteto Oscar Niemeyer, que foi sepultado em sua cidade natal sob os olhares de personalidades do mundo da política e da cultura.

Niemeyer, o gênio que desprezou a linha reta porque, segundo dizia, não levava a nada, e em seu lugar privilegiou em suas obras as curvas inspirado nas formas femininas, foi enterrado envolvido na bandeira do Brasil no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo.

O arquiteto falecido na quarta-feira aos 104 anos de idade foi sepultado sob aplausos, orações e hinos que lembraram sua militância comunista, enquanto a Banda de Ipanema, da qual Niemeyer era patrono, interpretou canções como "Carinhoso", "Cidade Maravilhosa" e "Aquarela do Brasil".

O enterro estava reservado para os parentes e amigos mais próximos, mas por fim foi permitida a entrada de jornalistas e de curiosos que se somaram à despedida.

Depois da homenagem oficial que recebeu na quinta-feira em Brasília, a cidade para a qual desenhou há meio século os principais palácios e edifícios públicos, hoje foram seus familiares, amigos e companheiros de militância no Partido Comunista os que renderam tributo a sua memória.

Entre os que passaram para se despedir em um dos salões do Palácio da Cidade, cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, estiveram a viúva e o filho de Luis Carlos Prestes e o poeta Ferreira Gullar.

"Oscar e papai foram os grandes comunistas do Brasil. O país não perde só um grande artista, mas também um grande homem", disse Luis Carlos Prestes Filho.

Por sua parte, Ferreira Gullar, que da mesma forma que Niemeyer e Prestes teve que se exilar durante parte de sua vida por seus ideais comunistas, preferiu destacar a trajetória artística do arquiteto e as inovações estéticas que projetou para fazer do concreto um material maleável e curvilíneo.

"Ele introduziu não só a forma curva, mas também a leveza. Os edifícios parecem flutuar. Para nós os amigos é um dor irreparável", declarou o poeta à "Agência Brasil".

Um grupo de militantes do PCdoB pendurou em uma cerca do Palácio da Cidade um cartaz no qual, entre as bandeiras do Brasil e a vermelha com a foice e o martelo, aparecia um desenho de Niemeyer dando os últimos retoques à mão, com a América Latina na palma, que adorna o Memorial da América Latina em São Paulo, outra de suas obras.

Entre as centenas de pessoas que foram prestar sua última homenagem ao arquiteto, uma mulher contou à Agência Efe que saiu de Niterói, uma das cidades que mais abriga obras de Niemeyer, para se despedir.

"Deixou muitas lembranças. Não vamos esquecê-lo graças às obras que deixou" disse a mulher, mencionando o Museu de Arte Moderna, um dos principais pontos turísticos de Niterói.

A militância comunista foi destacada também pelos irmãos Fidel e Raúl Castro, que enviaram ao velório coroas de flores depositadas na primeira fila em frente ao caixão.

"Ao incondicional amigo de Cuba Oscar Niemeyer", dizia a fita da coroa enviada pelo "comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz", enquanto a de Raúl estava dedicada "Ao querido amigo Niemeyer".

A presidente Dilma Rousseff, que o definiu como "gênio" e "revolucionário" e ontem recebeu seu corpo com honras no Palácio do Planalto, sede do Executivo projetado por ele, voltou a dedicar-lhe hoje palavras de agradecimento e afeto durante a inauguração da Cúpula do Mercosul.

"A história desse brasileiro que acaba de nos deixar com mais de um século vivido em plenitude dignifica meu país", declarou.

Dilma lembrou que Niemeyer foi um "sonhador", traço que, em sua opinião, têm os que lutam por "uma América Latina desenvolvida, com oportunidades iguais".

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