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"Fotojornalismo é mais difícil hoje do que há 30 anos", diz Steve McCurry

Steve McCurry / Montagem UOL / Divulgação Tomie Ohtake
Fotos da exposicao de Steve McCurry no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo Imagem: Steve McCurry / Montagem UOL / Divulgação Tomie Ohtake

Santi Carneri

27/11/2012 18h53

O fotógrafo americano Steve McCurry, reconhecido mundialmente por ter retratado o drama da guerra através dos olhos verdes de uma menina afegã em um campo de refugiados, avaliou nesta terça-feira com pessimismo a condição do fotojornalismo como profissão, assegurando que é "mais difícil exercer a profissão hoje do que há 30 anos".

Em entrevista à Agência Efe no Rio de Janeiro, o renomado fotógrafo, que já foi agraciado com a Medalha de Ouro Robert Capa de melhor reportagem fotográfica e com quatro prêmios World Press Photo, explicou que este é o momento dos fotojornalistas se renovarem para "encontrar novas formas de contar histórias e, inclusive, de viver".

"Estamos vivendo um momento de transição. Acho que haverá um futuro bom, mas é preciso trabalhar duro para isso", assinalou o fotógrafo que em 1984 captou a essência do conflito no Afeganistão através da famosa imagem "Menina Afegã", estampada na capa da revista "National Geographic".

Aos 62 anos, McCurry volta à tona não por causa do registro de um conflito bélico, mas por ter assinado as imagens do famoso Calendário Pirelli 2013, que, graças a sua visão de ativista, passou a ter um conteúdo mais próximo de um compromisso social, incluindo a seleção das modelos.

Desta forma, McCurry, que nasceu no subúrbio da Filadélfia, nos Estados Unidos, se transformou no primeiro fotógrafo da mítica agência Magnum a realizar o tradicional calendário da marca de pneus.

"Fui convidado, passei minhas condições e me senti cômodo com a realização do projeto. Eles também acataram minha sugestão de selecionar modelos apaixonadas por fazer do mundo um lugar melhor", declarou McCurry, que fotografou a atriz Sonia Braga, a cantora Marisa Monte e também algumas pessoas comuns nesta edição do calendário.

Segundo o fotógrafo, "a atual situação econômica e os problemas relacionados ao meio ambiente e aos Direitos Humanos" são fatores que acabaram interferindo na mudança do conteúdo do calendário, que, até o momento, só tinha sido assinado por ícones da fotografia de moda.

Ao longo de sua carreira, McCurry percorreu os seis continentes e mais de uma centena de países, além de ter realizado coberturas em várias regiões de conflito, como o Oriente Médio, os Bálcãs e Ásia Central, onde o fotógrafo tirou suas imagens mais célebres, como a famosa capa da "National Geographic".

"É preciso inventar algo extraordinário. Nós, os fotojornalistas, temos que ser criativos independente do meio usado, já que não sabemos o que se passará no futuro. Mas, sem dúvida alguma, é preciso ser exigente", assegurou.

Durante a entrevista, McCurry também falou sobre o trabalho do espanhol Samuel Aranda, que ganhou seu primeiro prêmio World Press Photo neste ano com uma imagem das revoltas no Iêmen, a qual foi classificada como "excelente, assombrosa, profunda e muito viva".

Antes de finalizar, McCurry ainda assegurou que seu próximo "grande projeto" será um livro de fotografias sobre a prática do budismo em diferentes países do mundo, mas evitou especificar quando o mesmo será lançado.

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