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Lyon, "capital da resistência" francesa, tira a poeira de sua memória

EFE
Uniforme usado por um prisioneiro de campo de concentração está em exposição no Centro de História da Resistência e a Deportação de Lyon (13/11/12) Imagem: EFE

Javier Villagarcía

15/11/2012 10h07

Lyon (França), 15 nov (EFE).- Após um ano fechado para reforma, o Centro de História da Resistência e a Deportação de Lyon reabre suas portas com uma exposição cheia de objetos e testemunhos do período da ocupação nazista da França na Segunda Guerra Mundial (1940-1944).

A mostra, que lembra este ano seu 20º aniversário e com a qual procura tirar a poeira da memória daqueles anos convulsos, é voltada para as gerações mais jovens, carentes de vínculos diretos com o último grande conflito mundial.

"Já não restam apenas testemunhas daquela época, daí que tenhamos transformado a exposição em uma espécie de narração cronológica com Lyon como referência", explicou à Agência Efe a diretora do centro, Isabelle Doré-Rivé.

O percurso começa com a história do prédio. Concebido para abrigar uma escola militar de medicina no final do século 19, durante a ocupação nazista se transformou no quartel-general da Gestapo.

Até que um bombardeio aliado, em maio de 1944, o destruiu parcialmente e obrigou seus inquilinos alemães a se mudarem para outro prédio do centro da cidade.

Várias fotografias da época e dois destroços de míssil nos transferem para aquele momento, a fim de que "a história não flutue como um sonho, mas se materialize em algo concreto", comentou Isabelle.

Quem tem uma viva lembrança daquele bombardeio é Denis Domenach-Lallich, hoje octogenária, mas na época uma jovem estudante envolvida totalmente na resistência contra a ocupação nazista.

"Chamaram meu grupo de estudantes para que fôssemos atender os feridos e recolhêssemos os mortos, mas não pudemos entrar, já que a área estava isolada por veículos alemães. Até o dia seguinte não nos demos conta da magnitude do massacre", contou Denis sobre um bombardeio que causou 717 mortos e mais de mil feridos.

Esta antiga integtante da resistência de Lyon, que se emocionou ao percorrer a exposição e contar lembranças daqueles anos, afirmou que é essencial lembrar para não cometer os mesmos erros.

A mostra, assegurou, serve de "reflexão que nos projeta em direção ao futuro", acrescentando que ela não gosta de falar da guerra, "mas de como se chegou a ela".

Denis se mostrou gratamente surpresa com a exposição, por causa da força como apresentam os objetos e documentos originais da época, assim como os testemunhos em vídeo.

Na mostra prévia só havia cópias e fac-símiles. Agora se pode inclusive tocar as armas que a resistência utilizou ou estremecer diante do uniforme de um deportado para um campo de concentração.

O núcleo da exposição, que será aberto ao público no dia 16 de novembro, é dividido em seis temas: "Uma cidade em guerra", "Rumo à unificação da resistência", "A luta armada", "O perigo", "A deportação dos membros da resistência" e "A perseguição e a deportação dos judeus".

Cerca de 80 mil judeus franceses foram enviados a campos de concentração. Na parede de uma das salas, uma projeção descendente, como os créditos de um filme, mostra um a um os nomes, idades e endereço dos deportados.

Ao estar centrada em Lyon, cidade que Charles De Gaulle qualificou como "capital da resistência", a exposição deixa de lado o papel de ativistas estrangeiros no seio da resistência, como por exemplo, dos espanhóis.

O catedrático de História, Laurent Douzou, assegurou que em Lyon houve muito pouca presença espanhola, ao contrário de zonas rurais.

Apesar de Laurent ter assegurado que seu papel foi "muito importante", ao ser a Guerra Civil espanhola "a antessala da resistência na França", explicou que os membros da resistência espanhóis eram rodeados de um "prestígio e um aura especiais" por sua experiência no combate.

Outra ausência que surpreende na mostra é a de Klaus Barbie, antigo dirigente da Gestapo e o mais ilustre dos ocupantes do prédio. Em 1987 ele foi condenado à prisão perpétua em um tribunal de Lyon por crimes contra a humanidade, após ser deportado da Bolívia onde vivia com uma nova identidade.

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