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Colombiano Botero defende que pintura deve buscar o lado positivo da vida

EFE
O artista plástico Fernando Botero ao lado de uma de sua obras em museu de Medelín, na Colômbia (1/04/12) Imagem: EFE

Roberto Cubero

De Bilbao (Espanha)

08/10/2012 17h41Atualizada em 09/10/2012 09h00

Para o artista colombiano Fernando Botero, a pintura deve buscar o lado positivo. "Os pintores sempre trabalham a exaltação da vida", ressalta ele.  

Botero deu uma entrevista à Agência EFE por ocasião da mostra de retrospectiva de sua obra, que pode ser visitada a partir de terça-feira (9), no Museu de Belas Artes de Bilbao, na Espanha, com 79 pinturas e uma escultura de sua coleção particular.

Pergunta - Sessenta e cinco anos pintando. Como seu estilo evoluiu, porque inclusive teve uma época na qual pintava figuras abstratas?
Fernando Botero - Sim, assim como El Greco e Picasso. Tive minha fase, em que a pintura de Picasso me impressionou muito, era muito jovem, mas são influências normais. Depois cultivei o volume, mas sente-se uma evolução, não uma mudança no estilo. El Greco e Boticelli pintaram "grecos" e "boticellis" a vida toda. O único que teve o talento de pintar em vários estilos foi Picasso, mas isso não é o normal.

Botero: "Pintores sempre trabalham a exaltação da vida"

O senhor sempre diz que não pinta gordas, que o que importa é o volume.
Disse isso muitas vezes: não pintei uma única gorda em minha vida. Expressei o volume, busquei dar protagonismo ao volume, torná-lo mais plástico, mais monumental, quase uma comida, por assim dizer, arte comestível. A arte deve ser sensual, digo nesse sentido.

Também predominam os temas afetivos...
Sim, minha pintura é sobre temas afetivos, porque a pintura foi fundada sobre temas afetivos. Vê-se que os pintores trabalharam a exaltação da vida, em meio a grandes tragédias. Por exemplo, o impressionismo: quem já viu um quadro impressionista deprimente? E isso entre guerras e tragédias, mas a pintura mantinha uma atitude positiva perante a vida. Hoje em dia é diferente. A arte mudou rumo a uma postura de produzir um escândalo, um "choque". Tradicionalmente, não era o que se fazia.

Parece que a arte de hoje não o convence muito.
Não se pode substituir a pintura por coisas que têm a ver mais com a televisão, como o vídeo, ou com o teatro - como as instalações. Pintura é pintar sobre uma superfície plana para expressar algo com formas, e existirá sempre. Os outros são outra coisa.

Falando de arte moderna, estamos em Bilbao ao lado do Museu Guggenheim de Frank Ghery, mas suas obras estão expostas no clássico de Belas Artes.
O Guggenheim me impressiona muitíssimo como arquitetura, mas esse museu (o de Belas Artes), como todo museu, é um lugar neutro, minimalista, sem outra pretensão que não seja a de mostrar a pintura, sem distrações.

O afeto predomina em sua arte, mas de vez em quando você presta um serviço social e pinta quadros sobre a tortura. Acredita que a atual crise europeia pode ser uma fonte de inspiração?
A situação na Europa não é retratável: tem mais a ver com números do que com outra coisa. A tortura era um caso muito especial que merecia que a pintura se encarregasse dela.

Quando um tema o fascina --as touradas, o circo, a igreja--, você pinta sobre ele durante um certo tempo. Há algum tema que o inspire agora?
Não, não trabalho em nenhuma série, nem sempre há esse entusiasmo por um tema. O último foi o da Via Sacra. Agora estou voltando aos temas eternos da pintura, às naturezas mortas, aos personagens.

Os touros foram um desses temas inspiradores. O que pensa da proibição das touradas na Catalunha e em Bogotá?
Acho muito ruim, porque todos têm direito a ter uma diversão. Não é a única coisa cruel no mundo: a caça e a pesca são cruéis. As pessoas que comem lagostas e as jogam na panela também são cruéis, mas ninguém diz nada. É preciso inventar um comitê em defesa das lagostas.

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