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Filme brasileiro mostra "bolha dos ricos" no país em festival na Espanha

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O escritor Mario Vargas Llosa fala com a imprensa sobre lançamento de sua obra completa, em Madri (18/9/12) Imagem: EFE/Zipi

26/09/2012 00h57

San Sebastián (Espanha), 26 set (EFE).- A realidade de um ambiente pouco frequentado pelo cinema brasileiro, a "bolha dos ricos" no país, será retratada pelo diretor Fellipe Barbosa em seu primeiro longa-metragem de ficção, "Casa Grande", na sessão Horizontes Latinos do Festival de San Sebastián (Espanha).

E para revelar o universo dos milionários, ninguém melhor que um diretor que pertenceu à essa classe até a falência de sua família, que ocorreu enquanto ele estudava cinema em Nova York.

Barbosa disse em entrevista à Agência Efe que grande parte de "Casa Grande" é autobiográfica, mas que o filme também inclui "muitos componentes de ficção".

O longa-metragem conta a história de Jean, um adolescente de 17 anos que vive em uma impressionante casa no Rio de Janeiro, enquanto assiste à derrubada de seu mundo quando descobre que seu pai está falido.

Ao mesmo tempo, ele tenta escapar da superproteção criada por sua família, iniciando sua aproximação com o amor e as mulheres.

"Cineastas que foram mais ricos que eu narraram sempre histórias de pobreza e de favelas", disse Barbosa.

Por isso, ele quis apresentar esse filme como um "contraponto" e contar sua própria experiência na "bolha" em que se desenvolvem as atividades das classes poderosas brasileiras.

Outro dos personagens do filme existiu na realidade. Trata-se do motorista de Barbosa, Severino, que o levava todos os dias a um colégio elitista do Rio de Janeiro.

Quando sua família faliu, fato ocultado por seu pai de sua mãe e irmãos, Barbosa estava em Nova York estudando cinema. Foi o último a saber da nova realidade e não chegou a viver as dificuldades econômicas pelas quais sua família passou.

O diretor disse ter sentido a "necessidade" de tentar compreender a situação como se tivesse a superado enquanto era um adolescente.

O personagem de Jean, que tem muito do "alter ego" de Barbosa, é interpretado por Thales Cavalcanti, um jovem de 18 anos que nunca tinha atuado em frente às câmeras, mas que convenceu toda a equipe com sua interpretação sólida e sincera.

"Não entendo porque ter muito dinheiro pode ser um desejo no Brasil. Isso não é confortável em um país onde há tantas pessoas pobres", afirmou Barbosa.

Com seu trabalho, o diretor quis investigar a "vergonha e a culpabilidade da burguesia", além de retratar uma classe social que se isola do resto da sociedade e é "vítima de sua própria riqueza".

O outro mundo, o das favelas e da miséria, era desconhecido para o diretor, que só teve contato com a pobreza quando chegou a Nova York aos 19 anos para morar no bairro do Harlem.

"A distância me fez compreender a realidade do meu país e passei a adotar uma visão mais crítica", ressaltou.

Ele disse que nos Estados Unidos o discurso sobre o racismo e as classes sociais "está evoluído". No Brasil, "embora o povo negue, existe o racismo, que não é baseado na cor da pele, mas na situação econômica".

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