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Lucrativa e longe da marginalidade, arte urbana é tema de feira no Rio

04/09/2012 16h07

Felipe Kopanski.

Rio de Janeiro, 4 set (EFE).- Arte feita de materiais recicláveis, fotografias e o ineludível grafite são alguns dos atrativos do ArtRua, uma feira que traçará a partir de amanhã na zona portuária do Rio de Janeiro um panorama da arte urbana, um segmento cada vez mais distante da marginalidade dos muros e vinculado a um lucrativo mercado.

O evento acontece na Vila Olímpica do bairro da Gamboa em paralelo à realização da terceira edição da ArtRio, a Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro.

Embora ainda não tenha as ambições da matriz, que no último ano arrecadou R$ 120 milhões e recebeu 74 mil visitantes no Píer Mauá, a mostra paralela chega à sua segunda edição em terras cariocas como um grande festival.

A feira mantém os mesmos objetivos: ajudar a revitalizar a outrora decadente região portuária e movimentar o amplo negócio do grafite, ou melhor, da arte vinda das ruas - como sugere o título.

"Uma feira de arte só é uma feira quando tem uma mostra paralela. Em 2009, quando estava na Miami Art Basel, pude presenciar o nascimento de algumas mostras de grande destaque e logo pensei em trazer isso ao Rio", revelou o "novo marchand" André Bretas, idealizador do evento.

Ele disse que obteve total apoio da mostra oficial "para criar um mercado de arte urbana no Rio".

O evento - até para compensar a última edição, marcada pela pintura de painéis em Wynwood Walls (em Miami) - ocupa agora os dois imensos galpões do antigo armazém ferroviário na Vila Olímpica da Gamboa, além de uma área externa de 7,5 mil metros quadrados. Exagero? Não para comportar um público esperado de 10 mil pessoas.

A grandiosidade do ArtRua, no entanto, não se refere somente às dimensões, mas também às inovações, como duas noites de festas (de R$ 60 a R$ 80) e o chamado Palco Jardim, que trará atrações musicais como Opala e Shibatonics ao longo de todo os dias.

Em meio ao colorido dos painéis, ainda haverá um ciclo de debates sobre o Mercado da Arte (quinta) e a Revitalização Urbana (sexta), os motes do evento.

A instalação "A casa, a carga e o vento", de Felipe Bardy, que assina a cenografia "ecológica" do evento, e uma exposição sobre a história do Instituto Rua, montada pelo fotógrafo Henrique Madeira em um dos vagões esquecidos no armazém, também são destaques desta edição, que ainda terá: uma galeria para facilitar o contato entre compradores e artistas, oficinas para crianças e, é claro , uma "lojinha pós-museu".

Além das atrações dentro do espaço, o chamado Wall Projects, uma espécie de "museu a céu aberto", ainda espalha diversos painéis pelos arredores da Gamboa e do morro da Providência, situado em frente aos galpões.

Neste caso, a ideia é criar roteiros inspirados em cidades como Buenos Aires, onde passeios turísticos por destacados grafites fazem parte da programação cultural.

Já em relação aos artistas presentes, uma verdadeira nata entre nomes de destaque, revelações em ascensão e pratas da casa, o ArtRua se mostra inquestionável, principalmente pela variedade das obras produzidas. Cada um defende seu próprio estilo, mas a genialidade é algo comum e, mesmo com muitos de fora, o resultado é para lá de surpreendente. Tem até um imenso cristo feito em caixas de papelão.

"Já fiz várias coisas ligadas à reciclagem em São Paulo e essa era a chance de trazer minha mensagem. A cidade está fervendo, o clima de protesto está no ar e não poderia ficar apenas no mural e na venda de quadro. Aqui, eu uso um símbolo do Rio para falar de outros problemas", apontou Tiago "Mundano", um dos mais de 50 artistas presentes.

Ao todo, entre 22 painéis e outras intervenções, o público poderá conferir de perto o trabalho por artistas como Carlos "ACME" Esquivel, Panmela "Anarkia" Castro, João "Lelo", Wesley "Combone", Márcio "Bunys", Carlos "Bobi", Marcelo "Ment", "Gais Ama", "AKN" (SP), "Binho" (SP), "Minhau (SP)", "Chivitz (SP)" e "Selon" (GO), entre outros.

"Nos surpreendemos muito com os painéis do "Bragga" (RJ) e do "Grupo Acidum", formado por um casal de Fortaleza. Isso sem falar na participação dos franceses do 123 Klan (Carole Boudart e Sebastien Jacob) e dos australianos do Dabs Mayla (Darren Mate e Emmelene Victoria).", completou o idealizador, sem esconder a alegria pelo nível das obras presentes no evento. "Só vendo de perto", finalizou. EFE

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