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Entenda a carreira do intelectual Carlos Fuentes, que morreu nesta terça (15)

Tomas Bravo/Files/Reuters
Foto de arquivo do escritor mexicano Carlos Fuentes, que morreu aos 83 anos em um hospital na Cidade do México devido a problemas cardíacos Imagem: Tomas Bravo/Files/Reuters

Alberto Cabezas

México

15/05/2012 18h06

O escritor mexicano Carlos Fuentes, falecido nesta terça-feira (15) aos 83 anos, foi um intelectual que questionou durante toda a vida o seu país pela incapacidade de construir uma democracia mais autêntica e que, a partir da literatura, encaminhou à narrativa em língua espanhola para a modernidade.

Crítico do nacionalismo oficial mexicano e cosmopolita, Fuentes invocou várias vezes a incapacidade do país em se transformar em uma sociedade moderna e em desvendar os mistérios da alma mexicana. Amante do idioma em que escrevia, chegou a dizer que sua luta para conservar o espanhol durou toda sua infância, pois esteve a ponto de perdê-lo.

"O idioma queria dizer para mim nacionalidade: era um conjunto opressivo de significados sujeitos sempre a luta, a reconquista", disse. Considerado o fundador do romance moderno no México, o intelectual fez curso superior na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra (Suíça).

Fuentes ainda era jovem quando seu talento literário começou a se sobressair e o escritor começou a contribuir com uma geração de escritores extraordinários que formariam o chamado "boom latino-americano".

Admirador de autores como os britânicos D.H. Lawrence (1885-1930) e Aldous Huxley (1894-1963), o escritor considerava a ficção como uma forma de responder às perguntas de como éramos e como seremos, e conhecer o mundo sem racionalidade. "Nem a ciência, nem a lógica, nem a política nos darão uma resposta. O romance também não nos dará, mas coloca a pergunta de uma maneira equivocada, de uma maneira cômica, transgressiva que as outras disciplinas não permitem", chegou a dizer.

O próprio Fuentes chamou suas obras de "Idade do tempo", com títulos como: "Los Días Mascarados" (1954) - "Os Dias Mascarados", em livre tradução -, "Gringo Velho" (1985) e "A Vontade e a Fortuna" (2008), sobre a violência ligada com o narcotráfico. O escritor também possui na sua bibliografia ensaios de destaque como "Cervantes ou a Critica da Leitura" (1976), "Os 68" (2005), e "O Grande Romance Latino-americano" (2011).

Em 2008, o espanhol Juan Goytisolo disse que Carlos Fuentes, junto com García Márquez e outros autores do "boom latino-americano", fortaleceu a literatura espanhola com a modernidade, depois da Espanha dar as costas à cultura universal durante séculos.

O crítico literário mexicano Christopher Domínguez também exaltou o trabalho de Fuentes. "É o conjunto mais complexo e variado da narrativa mexicana e reúne todas as conquistas e tendências da literatura contemporânea".

Domínguez destacou que o desapego é o ponto de partida permanente de Fuentes, um escritor que chegou a descrever seus afazeres literários como uma luta de um boxeador com as palavras. O crítico ressaltou o romance "Terra Nostra" (1975). "É o único de seus livros que pode ser lido além do horizonte mexicano".

Esse romance, que está unido a "Rayuela", de Julio Cortázar; "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez, e "Conversa na Catedral", de Mario Vargas Llosa, é considerado o mais alto expoente de Fuentes.

Sobre a transição que começou em 2000 no México com a chegada ao poder de Vicente Fox por meio do Partido Ação Nacional (PAN), o escritor mexicano disse que o líder "chegou com uma onda de entusiasmo renovador que não podia cumprir". No mandato, que durou até 2006, houve segundo o escritor um "Governo preguiçoso" que deixou passar o momento histórico. Antes de Fox, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) passou 71 anos consecutivos no poder.

Entre os muitos prêmios que Fuentes recebeu estão o Cervantes (1987), o Príncipe de Astúrias das Letras (1994) e o Nacional de Literatura do México (1984). Além disso, ganhou distinções tais como a Ordem da Independência Cultural Rubén Darío, outorgada pelo Governo sandinista (1988); a Ordem ao Mérito no Chile (1993) e a espanhola Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica (2008).

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