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Brasília abre sua primeira Bienal do Livro com olhar à África

14/04/2012 19h38

Marta Berard.

Brasília, 14 abr (EFE).- A primeira Bienal do Livro e a Leitura de Brasília abriu neste sábado suas portas ao público com um olhar à África e o objetivo de estimular o contato entre leitores e escritores através de diversas atividades, como uma homenagem ao Nobel nigeriano Wole Soyinka.

O secretário de Cultura do Distrito Federal de Brasília, Hamilton Pereira, defendeu em seu discurso inaugural a importância do "diálogo entre a cultura brasileira e suas raízes, particularmente a africana", e disse que este era um momento de "extraordinária importância para a cultura".

A abertura da Bienal de Brasília, realizada em um espaço na Esplanada dos Ministérios, também contou com um discurso do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, que, por sua vez, destacou "o poder transformador do livro".

Em declarações à Agência Efe, Amorim apontou as feiras literárias como uma alternativa para incentivar a leitura, já que as mesmas supõem um ponto de encontro entre leitores e escritores - um vínculo que vem sendo fragilizado "durante anos".

Amorim explicou que para estimular o hábito de leitura no país, onde "100 milhões de pessoas estão afastadas dos livros", é necessário potenciar as bibliotecas e promover a preparação dos cidadãos para a leitura, assim como o acesso à literatura.

Além disso, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional se mostrou propício a uma aproximação de autores que também se destacam em outros âmbitos da literatura, como o cinema e a música, uma das grandes paixões dos brasileiros.

A abertura da Bienal também contou com um discurso de Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura de 1986, que exaltou sua satisfação em voltar ao Brasil, país que considera seu "segundo lar" devido às raízes africanas da cultura brasileira.

Dramaturgo, romancista e ensaísta, o literato nigeriano, que escreve em inglês e mistura em imagens e mitos da África com as tradições europeias, será homenageado nesta noite com uma cerimônia no Museu Nacional de Brasília.

Aproveitando sua passagem pelo país, o escritor nigeriano lançará pela primeira vez no Brasil sua obra "The Lion and the Jewel", publicada originalmente em 1963.

O evento cultural, que se prolongará durante dez dias, reúne escritores dos quatro continentes, como a americana Alice Walker, ganhadora de um prêmio Pulitzer, e o paquistanês Tariq Ali, que participará de um colóquio sobre fanatismo religioso ao lado do teólogo Leonardo Boff.

No marco da Bienal de Brasília ocorre também a Jornada Literária da América Hispânica, que possui o objetivo de estreitar os laços entre a literatura brasileira e o conjunto da América Latina.

A atividade começa na noite deste sábado com a leitura de poemas de Juan Gelman, um poeta argentino premiado com o Prêmio Cervantes de Literatura. Gelman, que estará presente no evento, também deverá mediar um debate com os presentes.

Gelman compartilhará espaço com outros nomes de destaque, como o chileno Antonio Skármeta e o nicaraguense Sergio Ramírez, vice-presidente de seu país durante o primeiro Governo sandinista (1984-1990).

Os debates também contarão com a presença dos argentinos Mempo Giardinelli e Samanta Schweblin, do colombiano Héctor Abad Faciolince, do mexicano Mario Bellatín e do cubano Senel Paz.

A Bienal de Brasília, que possui o objetivo de explorar as relações entre o cinema e a literatura, apresentará shows de diversos artistas, como Caetano Veloso, Nando Reis, Oswaldo Montenegro e Chico César.

As atividades infantis e um seminário para analisar a realidade da literatura africana contemporânea e as transformações vividas no continente também são outros destaques da Bienal de Brasília.

Cercada por um grande contingente policial, o primeiro dia da Bienal acabou sendo marcado pelo protesto de professores da rede pública do Distrito Federal, que estão em greve há 34 dias.

Os manifestantes, que chegaram ao local cantando o hino nacional, interromperam diversas vezes os discursos da cerimônia de abertura com palavras de ordem, do tipo "sem o professor não há educação". Os professores também traziam cartazes em que se podia ler: "Agnelo, cumpra o acordo", em referência ao chefe do Governo regional, Agnelo Queiroz.

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