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Leitura na América Latina deve ser prazerosa para se tornar mais frequente

Ana Mengotti

Bogotá

09/04/2012 21h00

Os argentinos são os maiores leitores de livros da América Latina, já os chilenos e peruanos aparecem como os principais consumidores de revistas e jornais, respectivamente, mas todos lêem muito pouco e mais por necessidade do que por prazer.

Isso é o que revela o estudo do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC), um órgão com sede em Bogotá, na Colômbia, ligado a Unesco e dirigido pelo colombiano Fernando Zapata, que não perde a esperança de popularizar a leitura na região. Conforme revelou à Agência Efe Zapata, a pesquisa revela que os índices de leitura estão aumentando na América Latina.

O centro dirigido por Fernando Zapata acaba de apresentar uma análise comparativa sobre o comportamento do leitor e dos hábitos de leitura na Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, México e Peru, além da Espanha, que aparece como espécie de referencia de país desenvolvido.

A análise é baseada em estudos locais e nem todos correspondem ao mesmo ano. O trabalho, no entanto, mostra que na média mais da metade dos habitantes dos seis países envolvidos não possui o hábito de leitura.

A falta de estudos sistemáticos sobre a leitura na maior parte dos países latino-americanos é significativa para o CERLALC, que desenvolveu uma metodologia específica para obter dados capazes de ajudar a elaborar políticas públicas de fomento a leitura.

"Sabemos que em Cuba, por exemplo, há uma enorme quantidade de leitores, apesar de não possuir nenhum índice exato, assim como também não temos dados da América Central", afirma Zapata.

Em relação à leitura de livros, o estudo apresenta a Argentina no topo da lista com índice de 55%, seguido pelo Chile (51%), Brasil (46%), Colômbia (45%), Peru (35%) e México (20%), enquanto na Espanha o índice é de 61%.

Isso significa que, em média, 41% da população de todos esses países possuem o hábito de ler livros, com uma frequência que varia de uma vez ao mês até uma vez ao ano.

O Chile e Argentina lideram a lista de quantidade de livros lidos ao ano por habitante, com 5,4 e 4,6, respectivamente, diante dos 10,3 da Espanha. Nesta escala, o México e a Colômbia aparecem na parte mais baixa, com 2,9 e 2,2.

Com relação às revistas, o Chile é o país com mais leitores, já que 47% da população afirmaram ler este item com frequência. Na outra ponta da escala, com apenas 26% de leitores, está a Colômbia.

Na leitura de jornais, o líder regional é o Peru, com 71%, índice muito próximo ao da Espanha (78%) e distante dos outros cinco países latinos, já que seu seguidor imediato é o Chile (36%). O último colocado no seguimento é o México, com apenas 15% da população.

As diferenças mais significativas entre os leitores da Espanha e os dos seis países estudados estão relacionados aos motivos para exercer a leitura. Enquanto na Espanha 85% da população afirma ler por prazer, na América Latina os motivos mais citados são as atualizações culturais, os conhecimentos gerais e, principalmente, as exigências escolares, acadêmicas e trabalhistas.

Conforme o CERLALC, o prazer da leitura também marca a diferença entre um leitor assíduo e um esporádico, fato que pode ser exemplificado com os dados da Argentina, o país latino-americano com maior índice de leitura de livros. Entre os leitores deste país, 70% afirmam ler por prazer, o que justifica o alto índice de leitura.

O principal motivo para a falta de leitura, ainda segundo ao estudo, é a falta de tempo, com porcentuais que vão desde 53% no Brasil até os 28% do Chile. Em segundo lugar aparece a falta de interesse, mencionada por 67% da população colombiana.

A análise ainda aponta que a forma majoritária de acesso aos livros na América Latina é por meio da compra, assim como na Espanha. Os empréstimos de outras pessoas aparecem como a segunda maneira mais usual de acesso aos livros.

De acordo com os entrevistados, a casa ainda é o lugar preferido para ler. Os chilenos, por outro lado, preferem ler mais nas salas de aula (55%) do que no lar.

A leitura ocupa lugar secundário nas atividades de tempo livre. Nos países com índices mais elevados, como a Argentina e o Chile, a leitura aparece no quinto lugar das atividades preferidas, atrás de assistir TV, ouvir música, reunir-se com amigos e praticar esportes. 

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