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Exposição mostra primeiras vítimas de armas de fogo encontradas na América

Fernando Gimeno

20/03/2012 10h03

Os vestígios das primeiras vítimas de armas de fogo encontradas na América serão exibidos pela primeira vez na exposição "Puruchuco. Rebelião inca", onde é relatada a crueldade de uma batalha de 1536, quando a população nativa dos arredores de Lima enfrentou os primeiros colonizadores espanhóis.

Essa história estava enterrada até poucos anos atrás nas imediações do complexo administrativo e cerimonial de Puruchuco, que foi habitado pelas civilizações pré-colombianas cerca de 200 anos antes de Cristo.

O arqueólogo Guillermo Cock, curador da exposição e que recuperou esses guerreiros, declarou à Agência Efe que é "a primeira vez que esse material é amplamente exposto, embora sejam conhecidos apenas entre 15% e 20% do que o lugar esconde".

A exposição, que poderá ser vista até julho no Museu da Nação, em Lima, narra os períodos históricos desse sítio arqueológico situado a leste da capital peruana que abriga "o maior cemitério pré-colombiano" do país após a passagem de diversas culturas.

Os três períodos de escavações realizados por Cock permitiram recuperar quase duas mil urnas funerárias da população que vivia nessa área.

Durante as pesquisas, foi constatado que cerca de 70 pessoas apresentavam sinais de ter recebido um enterro apressado e seus restos mostravam "marcas de uma violência extrema, que não havia sido registrada no Peru, por se tratar de vestígios de armas europeias", disse Cock.

Esses restos pertencem aos quatro mil ou cinco mil nativos comandados pelo general Quisu Yupanqui que tentaram conservar "com muita força" seu território em uma batalha que teve como palco Puruchuco contra "120 espanhóis apoiados por outros dois mil ou três mil nativos".

Um desses projéteis, que segundo Cock possivelmente procedia de uma espingarda espanhola do século XVI, atingiu a parte superior do crânio de uma das vítimas, cuja cabeça apresenta um grande buraco.

Outro personagem que se destaca, chamado de "Mochito" ("mutilado") por Cock, foi enterrado com um pouco mais de cuidado do que seus companheiros e apresenta "inúmeros ferimentos e fraturas por pisadas de cavalo" até morrer "com uma lança na cabeça".

As fotos exibem o processo de exumação de alguns dos corpos encontrados na área mais atingida pelo prolongamento da atual avenida Javier Prado, enquanto alguns infográficos representam a distribuição de construções do lugar com "estruturas maciças".

O lançamento da exposição ocorre depois da polêmica provocada no início deste ano, quando a Prefeitura do município de Ate-Vitarte anunciou que ia cortar o sítio arqueológico de Puruchuco para fazer a ampliação da Avenida Javier Prado.

Depois do protesto de instituições como o Ministério da Cultura, a Prefeitura de Ate-Vitarte aceitou modificar o projeto para a construção de um túnel.

A diretora de Museus e Bens Móveis do Ministério da Cultura, Luisa María Vetter, afirmou, sobre o assunto, que a exposição pretende "reforçar a identidade dos peruanos diante de seus ancestrais e suas raízes" para cuidar do patrimônio cultural.

"Queríamos mostrar ao público que Puruchuco era um monte sagrado, onde havia arquitetura piramidal e cemitérios, principalmente no período inca, onde podem ser vistos parte dos nativos que morreram no confronto com os conquistadores", destacou Luisa à Efe.

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