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Arte espanhola ilumina favelas do Brasil

07/03/2012 06h02

Marta Berard.

São Paulo, 7 mar (EFE).- Com cinco palavras, cinco cores e a convicção de que a arte pode ser um motor para a mudança, um coletivo de artistas espanhóis dedicados ao grafite e à pintura de muros assaltou os becos de um empobrecido distrito da periferia de São Paulo para iluminá-los.

"Boa mistura" é o nome sob o qual atuam os cinco responsáveis por tingir os muros, escadas, portões e encanamentos de algumas vielas de Vila Brasilândia, localizada nos arredores da maior cidade do Brasil.

Os artistas, radicados em Madri, onde começaram a pintar quando ainda eram adolescentes, contaram com a participação dos próprios moradores de Brasilândia para executar o projeto "Luz nas vielas", que se inscreve em um programa de ações do grupo, que tem o objetivo de melhorar áreas degradadas através da arte.

Um dos membros do coletivo, Juan Jaume Fernández, explicou à Agência Efe que o grupo trabalha de forma unida e "os egos estão diluídos", de modo que o resultado parece o trabalho de uma só pessoa.

Em uma conversa por telefone, o artista explicou que seu coletivo realiza trabalhos remunerados com estúdios de design, arquitetura e museus com os quais, além de ganhar a vida, podem empreender atividades como o "Luz nas vielas".

"Todos os trabalhos remunerados que fazemos nos enchem o bolso, e os outros projetos nos enchem o coração", declarou Fernández.

Os jovens artistas viveram na populosa Vila Brasilândia durante o mês de janeiro e tiveram contato direto com a comunidade, elemento que contribuiu de forma decisiva para dar forma ao projeto.

O resultado final é tão simples como efetivo: as palavras amor, beleza, orgulho, firmeza e doçura escritas em branco e em português sobre um fundo de luminosas cores usando a perspectiva para dar às letras profundidade e movimento.

Para rematar os trabalhos, os artistas pintaram o muro de uma casa situada na base da favela com a mensagem "Amor ao bairro".

Os cinco amigos, como Fernández define os membros da equipe, conservam de seu início no grafite o uso desses materiais e o trabalho ao ar livre.

"O poder da rua é enorme, não está sujeito a galerias e é um presente que pode ser desfrutado por todos", disse.

Em sua opinião, viver em um meio degradado faz com que os moradores se enfadem desse ambiente, e explicou que o que buscam é "usar a arte como um pequeno motor de mudança".

Durante sua estadia em São Paulo, o coletivo foi acolhido pela família de Dimas Gonçalves, brasileiro envolvido em projetos de desenvolvimento, que assegurou que a experiência tem pouco a ver com a ideia tão estendida de um grupo de estrangeiros que faz filantropia e vai embora.

"Eles saíram daqui enriquecidos e apaixonados", disse Dimas à Efe.

Já Carolina Araújo, da ONG Escritório de Sustentabilidade, dedicada ao desenvolvimento sustentável, descreveu este tipo de ação como uma "célula iniciadora para a mudança".

Para realizá-lo, o Boa Mistura contou com apoio econômico e logístico da Embaixada da Espanha no Brasil e a colaboração do Centro Cultural Espanhol em São Paulo, entre outros.

Após sua intervenção em São Paulo, os jovens se deslocaram ao Rio de Janeiro, onde voltaram a brincar com as cores na favela do Vidigal.

O Boa Mistura já está de volta à Espanha, mas seu vínculo com o Brasil está longe de desaparecer, e seus integrantes estão dando forma a uma nova ação mais ambiciosa que também terá como cenário a Brasilândia.

O novo projeto prevê trabalhar em um conjunto de casas degradadas, uma tarefa que requer o envolvimento dos residentes e fabricantes de materiais e consiste em pintar novamente essas casas.

A Vila Brasilândia, que nasceu em meados de século XX pelas mãos de emigrantes de zonas rurais que buscavam uma oportunidade em São Paulo, prossegue seu avanço na melhoria de serviços públicos e agora aposta no poder das cores.

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