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Wikileaks divulga milhões de e-mails de empresa de inteligência e segurança

27/02/2012 16h02

Patricia Rodríguez.

Londres, 27 fev (EFE).- O Wikileaks começou nesta segunda-feira a divulgar milhões de e-mails para denunciar as atividades corruptas de espionagem da Stratfor Global Intelligence, empresa americana de segurança que trabalha para governos e empresas de todo o mundo, segundo seu fundador, Julian Assange.

Assange convocou os meios de comunicação no clube Frontline de Londres para fornecer detalhes do funcionamento "obscuro" dessa companhia privada que, segundo disse, incorre em operações "sórdidas" como subornos e lavagem de dinheiro para obter informação com fins econômicos por encomenda de empresas e governos.

O Wikileaks divulgará mais de cinco milhões de mensagens, escritas por funcionários da Stratfor entre julho de 2004 e dezembro de 2011, nas quais fazem referência a companhias petrolíferas, governos, bancos e dirigentes políticos como o venezuelano Hugo Chávez e o espanhol José María Aznar.

Há mais de quatro mil e-mails nos quais são mencionados o Wikileaks e Julian Assange, ao mesmo tempo que fontes diplomáticas e governos de todo o mundo facilitam antecipadamente a Stratfor detalhes de eventos em troca de dinheiro, segundo o site.

Os e-mails serão publicados por 25 meios de comunicação, mas não pelos quatro jornais originais que divulgaram desde o final de 2010 os primeiros vazamentos do Wikileaks.

Segundo a informação divulgada hoje pelo site, essa organização de segurança com sede no Texas trabalha com serviços secretos, embaixadas e empresas multinacionais.

A Stratfor espionou ativistas de Bhopal, na Índia, para a multinacional Dow Chemicals e membros da organização defensora dos animais PETA para a Coca-Cola nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver em 2009, segundo Assange.

A empresa se apresenta "como um meio de comunicação que proporciona uma revista com informação de inteligência", mas o que faz é "tramitar redes de informantes e realiza os pagamentos através das Bahamas, Suíça e cartões de crédito privado", garantiu Assange.

As técnicas empregadas pela Stratfor, segundo Assange, transformam "em uma creche" o dominical britânico "News of the World" de Rupert Murdoch, fechado em julho do ano passado pelo escândalo das escutas ilegais.

Da entrevista coletiva participou Carlos Enrique Bayo, do jornal "Público", que apontou que, em um dos e-mails, a diretora de Inteligência Geopolítica da Stratfor, Reva Bhalla, assegura que Aznar, ex-presidente do governo espanhol, "é um radical" e "muito mais extremista inclusive que os funcionários israelenses".

Os e-mails que serão divulgados pelo Wikileaks apresentam detalhes da rede de informantes da Stratfor assim como dos métodos psicológicos empregados para obter dados, entre outros, das tentativas do governo dos EUA de prejudicar Assange e seu site.

"Pusemos mais atenção nas medidas adotadas contra nós (pela Stratfor) e provavelmente a história mais relevante será divulgada em três ou quatro dias", sugeriu Assange.

O informático australiano, que está em liberdade condicional pendente de sua extradição à Suécia por supostos delitos sexuais, não revelou como obtiveram os e-mails ao argumentar que o Wikileaks "protege suas fontes".

Os meios de comunicação britânicos os atribuem à atuação dos ciberativistas do Anonymous, que em dezembro do ano passado atacaram o sistema informático da Stratfor, apesar de isto não ter sido confirmado por Assange na movimentada entrevista coletiva.

A empresa americana de segurança também fechou "acordos secretos" com dúzias de meios de comunicação e jornalistas de todo o mundo, segundo Assange, que citou entre outros a agência de notícias britânica "Reuters" e o jornal "Kiev Post".

O ex-hacker, em todo caso, denunciou os métodos "incompetentes" da empresa, cujos empregados "brincam de ser James Bond da maneira mais absurda" enquanto "a corrupção e a incompetência florescem dentro de organizações secretas como a Stratfor".

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