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Tango quer saltar a barreira da classe média e conquistar a China

Tamara Gil

27/02/2012 10h01

No ano em que Argentina e China completam 40 anos de relações diplomáticas, o tango tenta popularizar-se no país asiático e conquistar o coração da população em geral, não só da nascente classe média, entre a qual é cada vez mais conhecido.

"Na China existe uma comunidade pequena que pratica o tango e que vai crescendo. Por enquanto, o tango é uma expressão artística dirigida às classes médias. É visto como algo exclusivo. Queremos popularizá-lo", disse à Agência Efe o adido cultural da embaixada argentina na China, Santiago Martino.

Para conseguir seu objetivo, uma das saídas é trazer "professores de excelência" que ensinem a dança típica argentina a uma população exigente, a quem não basta um professor argentino, querem também um alto nível de profissionalismo.

É o caso de Claude Murga, professora oficial de tango da chancelaria argentina desde que o governo determinou há um ano que diplomatas e funcionários o aprendessem, e que viajou para Pequim para dar aulas em grupo e particulares a profissionais ou não, de todas as idades.

"Na China está começando o furor", garantiu Claude, que representou a Argentina nos prêmios Grammy realizados em 2010 em Las Vegas, a histórica edição na qual pela primeira vez reconheceram a arte do tango ao incluí-lo na cerimônia.

Cumprir o objetivo de promover o tango na China - como comentou o embaixador argentino, Gustavo Martino - parece factível se for levada em conta uma pesquisa efetuada pelas embaixadas argentinas em Pequim, Hong Kong e Xangai.

Segundo o resultado da consulta, a capital chinesa conta já com quatro milongas (salões de baile de tango), onde grupos de pessoas vão para dançar todas as semanas sob a orientação de um professor chinês ou estrangeiro.

Antes, só existiam milongas sazonais, que eram organizadas a cada dois ou três meses.

"Os chineses têm uma sensibilidade muito grande. Talvez necessitem um pouco mais de tempo em relação aos latinos para expressar-se, mas têm uma grande sensibilidade", declarou Claude.

A perseverança é a chave, acrescentou a profissional, que se confessou agradavelmente surpresa pelo respeito que os chineses têm pelos professores como ela e ao trabalho que desempenham.

"Eles se põem uma meta e a cumprem, embora tenham que estudar até as três da manhã", disse a artista, que desde 2005 faz parte do júri do Mundial de Tango na Argentina e na Ásia.

O tango parece conquistar a população chinesa pela calidez e pelo relaxamento transmitidos pela dança.

"O tango sai do coração", afirmou contundente Zhang Jie, um homem de negócios que decidiu começar a frequentar as aulas com sua esposa há dois anos e agora admite estar "seduzido" por esta arte.

Sua esposa também se mostrou encantada com o vínculo estabelecido entre os casais no baile, no qual "o espírito e o corpo se movimentam ao mesmo tempo", segundo ela.

A "paz" trazida pelo tango é tal para os chineses, que inclusive um empresário quis incorporar uma hora e meia de aulas obrigatórias ao horário de trabalho para combater o estresse e deixar os funcionários mais felizes, contou Claude.

Em apenas uma semana, a dançarina profissional teve contato com cerca de 400 chineses, um número que pretende aumentar no evento solidário que organizará este ano em Pequim, cujos lucros serão destinados aos mais necessitados na Argentina e na China.

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