Exposição exalta influência de Picasso nos artistas britânicos

Viviana García

Londres

A influência que Pablo Picasso exerceu nos artistas britânicos é o tema de uma exibição da Tate Britain de Londres, que destaca a reputação que o pintor espanhol adquiriu no Reino Unido como figura reconhecida e controvertida.

Intitulada "Picasso e a Arte Moderna Britânica", a exposição ressalta a "inspiração positiva" que o pintor gerou em Duncan Grant, Wyndham Lewis, Ben Nicholson, Henry Moore, Francis Bacon, Graham Sutherland e David Hockney, destacou nesta segunda-feira Chris Stephens, o curador da mostra.

Composta por mais de 150 obras, 60 somente de Picasso, a mostra é divida em várias seções e por ordem cronológica, desde que o artista espanhol exibiu sua obra pela primeira vez nas Galerias Grafton de Londres, em novembro de 1910.

Com esta exposição, que abre ao público no próximo dia 15 e se estende até o 15 de julho, a Tate Britain procura mostrar o grande interesse dos britânicos por Picasso no século XX, que, segundo a mostra, era bem mais profundo do que se pensava até agora.

Segundo Stephens, o fato do pintor espanhol ter sido considerado como uma "nova e positiva inspiração" não foi um "processo passivo" por parte dos artistas britânicos, já que estes próprios encontraram em Picasso uma "figura única".

"Tinha muita capacidade de invenção. Cada geração encontrou algo novo em Picasso. Cada artista encontrou algo diferente", manifestou o curador, que ressaltou a capacidade que o pintor espanhol tinha para "se reinventar".

Apesar de serem muitos os britânicos que se influenciaram em Picasso no século XX, os artistas escolhidos pela Tate Britain para esta mostra refletem a variedade e a vitalidade com que responderam a influência exercida pelo artista.

Entre as obras de Picasso, a exposição destaca "Cabeza de um Homem com Bigode" (1912), exposta no Reino Unido antes I Guerra Mundial, quando o Cubismo começava a ser conhecido neste país através das obras do artista pós-impressionista Roger Fry.

Também aparecem "Homem com clarinete" (1911-12), do Museu Thyssen-Bornemisza de Madri, "Mulher Que Chora" (1937), "Mulheres na Argélia (1955) e "Natureza Morta com Bandolim" (1924).

No entanto, a estrela da exposição é "Desnudo de Mujer en Sillón Rojo", um retrato elaborado por Picasso inspirado em sua amante Marie Thérése Walter. Nesta obra, o rosto da mulher em questão é desenhado a partir de dois perfis: o da modelo e o da amante.

Em alguns casos, a influência de Picasso entre os britânicos foi tão grande que os especialistas afirmam que David Hockney visitou oito vezes uma grande exibição de Picasso no Tate, em 1960, quando o pintor britânico começou sua obsessão pela obra do criador do Cubismo.

Além de pinturas e esculturas, a galeria mostra fotos de Picasso em Londres em 1919, quando trabalhou na cenografia do ballet "O chapéu de três picos". Após sua passagem pela Tate Britain, "Picasso e a Arte Moderna Britânica" será exposta na Galeria Nacional Escocesa de Arte Moderna, em Edimburgo.

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