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Rio de Janeiro comemora 80 anos de desfiles de escolas de samba

08/02/2012 18h47

Manuel Pérez Bella.

Rio de Janeiro, 8 fev (EFE).- O Rio de Janeiro comemora nesta semana o 80º aniversário do primeiro desfile de Carnaval, que surgiu em 1932 como uma festa popular da comunidade negra mal vista pelas autoridades e se transformou no "maior espetáculo da Terra".

O primeiro desfile foi organizado pelo jornal "Mundo Sportivo" no dia 7 de fevereiro de 1932, domingo de Carnaval, e contou com 23 escolas de samba formadas por 100 dançarinos vestidos de terno ou com fantasias simples e recatadas, uma imagem muito diferente da exuberância e sensualidade atuais.

Na semana que vem desfilarão pela Marquês de Sapucaí 13 escolas de samba, cada uma com uma média de 3.500 integrantes vestidos com fantasias chamativas - ou quase nenhuma roupa - e uma dúzia de elaborados carros alegóricos.

Uma das grandes personalidades do Carnaval carioca, o cantor e compositor Monarco da Portela disse à Agência Efe que desde a inauguração do sambódromo em 1984 os desfiles perderam a espontaneidade de antes, quando as pessoas só queriam sambar.

"Agora é mais artificial, industrial, há muitos patrocinadores. No nosso tempo era uma luta para organizar o desfile", afirmou Monarco, 78 anos de idade e 65 de Carnaval, membro da Velha Guarda da Portela.

Monarco estreou na folia em 1947, aos 14 anos, segurando o cordão usado na época para separar os sambistas do público, que se aglomerava nas ruas da Praça Onze, uma área que nos anos 30 era chamada depreciativamente de "pequena África" devido à grande quantidade de negros que viviam ali.

"Nos anos 40 as autoridades se deram conta que os desfiles eram uma coisa bonita, da cultura popular, e foram permitindo sua realização. Até então eram marginalizados", explicou Monarco.

Naquela época as escolas já contavam com carros alegóricos pequenos e simples, decorados de forma rudimentar, e separavam homens e mulheres em alas diferentes.

Algum desses grupos sobrevive até hoje, como é o caso da ala das baianas, na qual desfilam exclusivamente mulheres mais velhas vestidas com trajes tradicionais da Bahia.

As canções tinham então um ritmo mais lento que o atual e os desfiles duravam até o meio-dia, o que agora não é possível pelas estritas normas impostas pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que estipula um tempo máximo de 82 minutos para cada escola percorrer os cerca de 700 metros do sambódromo.

"Naquela época era muito simples. Nossa escola se chamava 'Vai como pode' porque desfilávamos de qualquer maneira", comentou Monarco.

Com a permissão institucional, as escolas tiveram que registrar-se na delegacia de costumes e passaram a receber as primeiras subvenções da Prefeitura, que em troca impunha o tema dos desfiles, obrigando-as a homenagear personagens históricos, lembrou o sambista.

Monarco relatou que a Portela manteve a linha mais tradicional até os anos 80, quando se viu obrigada a introduzir inovações como as coreografias, criadas por carnavalescos revolucionários como Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta, que morreu no último mês de dezembro aos 78 anos.

Joãosinho Trinta foi o responsável por introduzir as primeiras mulheres nuas nos desfiles e por usar carros alegóricos gigantes e de decoração suntuosa, o que, depois de sofrer muitas críticas, foi adotado por todas as escolas para se transformar em dois ícones do Carnaval carioca.

Para reviver a lembrança do carnaval de 1932, a Prefeitura de Rio e o jornal "Extra" organizaram na noite de ontem um desfile com toque de nostalgia do qual participaram quatro das escolas pioneiras: Estácio, Portela, Unidos da Tijuca e Mangueira, a vencedora do primeiro concurso.

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