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Charles Dickens é relembrado diante de seu 200º aniversário de nascimento

Judith Mora

02/02/2012 12h38

Londres, 2 fev - Impetuoso contra as desigualdades sociais e grande defensor dos pobres e oprimidos, o escritor britânico Charles Dickens, cuja data de nascimento completa 200 anos na próxima terça-feira (7), foi a consciência da Inglaterra victoriana.

Desde "Oliver Twist" e "David Copperfield" até "Casa Desolada", todas suas obras, em sua maioria ambientada em Londres, denunciam a corrupção e a hipocrisia das instituições britânicas do século 19, enquanto os necessitados seguem sem atenção. Neste contexto, é evidente sua hostilidade em direção ao mundo dos ricos.

Mas o que inspirou Dickens a desenvolver essa literatura de denúncia?

"Não foi uma motivação política, já que os políticos não agradavam em nada Dickens após sua experiência como repórter no Parlamento", assegura à Agência Efe John Bowen, um especialista no escritor britânico da Universidade de York.

Segundo Bowen, o escritor, que nasceu no dia 7 de fevereiro de 1812, em Portsmouth, foi criado em uma família de classe média-baixa e presenciou as imensos transformações que a Inglaterra atravessava naquele momento, quando começou a industrialização e milhares de pessoas emigraram para capital, onde viviam em condições paupérrimas.

Por outra parte - acrescenta o especialista -, "Dickens sofreu na própria pele o estigma da pobreza". Aos 12 anos, o futuro escritor já era empregado de uma fábrica de betume, enquanto seu pai, um ex-empregado da Marinha britânica, estava preso por conta de dívidas.

Dickens foi um ativista social tanto em sua obra como em sua vida, na qual promoveu diversas campanhas para melhorar a educação e a saúde dos pobres e fundou um centro para mulheres marginalizadas em colaboração com a milionária filantropa Angela Burdett-Coutts.

De religião protestante, liberal e progressista, o escritor, que teve muito êxito e se enriqueceu, "era um reformista radical", mas "não há nenhuma dúvida de que não era um revolucionário", declara à Agência Efe Simon Winder, diretor da editora britânica "Penguin", que acaba de publicar uma nova biografia do romancista.

"Sua ideia era que, se as pessoas fizessem o bem, a sociedade seria melhor em todos os aspectos", completa Winder.

Apesar de não ter sido um socialista revolucionário, no sentido que nunca advogou por uma mudança estrutural da sociedade, Dickens se interessava muito por revoluções, como a francesa de 1789, relatada no romance "História de Duas Cidades".

"Sua crítica social foi elogiada pelo ideólogo do socialismo Karl Marx, que foi seu contemporâneo em Londres e grande admirador de sua obra, embora ambos não tenham se conhecido. Seguramente Charles Dickens não participou das teorias do filósofo, que até então era pobre e desconhecido", aponta Bowen.

Muitos acadêmicos consideram Dickens como o melhor escritor britânico do século 19, já que influenciou muitos de seus contemporâneos, como os russos Tolstói e Dostoievski. Apesar de ter morrido em 1870, sua obra continua inspirando escritores atuais como, Salman Rushdie e Martin Amis.

Além de sua inegável criatividade e seus inesquecíveis personagens, o que conecta a obra do escritor com sucessivas gerações de leitores é, de acordo com Bowen, "seu exato retrato dos efeitos da mudança nas sociedades modernas", feito "com paixão e sem amargura".

O fato de Dickens atacar sem piedade as instituições britânicas, desde a Justiça até o sistema de prisões, "fez com que o escritor não fosse ligado a ninguém, até o ponto que, paradoxalmente, ele mesmo se transformou em uma instituição nacional", como apontou também escritor George Orwell em um de seus ensaios.

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