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Empresários apostam na "era de ouro" do musical para lotar teatros do Reino Unido

Ramón Abarca

13/01/2012 06h04

Sapatear de cartola e cantar na chuva ajuda a esquecer o deprimente clima de crise econômica, por isso os empresários teatrais estão apostando na "era de ouro" do musical para lotar as salas do Reino Unido.

Uma onda de espetáculos musicais que marcaram os anos 1930 e 1940 volta aos palcos britânicos, com grande sucesso de público, graças às suas canções pegajosas, cenários luxuosos e enredos inocentes, que ajudam a escapar da realidade mais dura.

As produções de grandes clássicos como "Cantando na chuva", "O Picolino", e os populares musicais de Rogers & Hammerstein, estão em cartaz em Londres e em todo o país como um "revival" da era de ouro do gênero que vive seu melhor momento.

Em abril, chega aos palcos da West End londrina a primeira versão teatral do filme "O Picolino" (1935), protagonizado por Fred Astaire e Ginger Rogers.

Kenny Wax, o produtor da comédia musical que inclui canções como "Let's Face the Music and Dance" e "Cheek to Cheek", considera que nestas obras há "os fatores nostalgia e boa trama que não podem ser subestimados" durante um momento de crise econômica.

Meses antes da estréia, já se cria uma grande expectativa em torno de alguns espetáculos, que seus responsáveis definem como "uma gloriosa celebração das canções e das coreografias dos anos 1930 com cenários magníficos e cerca de 200 figurinos".

Uma aposta com poucos riscos. O público está familiarizado com as partituras que conhece desde a infância, e ninguém se preocupa em pagar caro pelos ingressos sabendo que irá desfrutar de um clássico.

"Antigamente as pessoas saíam dos teatros cantarolando os refrães, agora elas entram assim", comenta o produtor de "O Picolino".

Esta temporada apresenta a bem-sucedida fórmula de outro clássico imbatível, "Cantando na chuva", que chega às salas de Londres em fevereiro com uma produção de Jonathan Church, diretor artístico do Festival de Chinchester, que recebeu o aval da crítica e do público em sua pré-estreia.

Porém, não há dúvidas de que o negócio dos musicais é arriscado, como o histórico produtor Cameron Mackintosh pôde comprovar no ano passado, com seu espetáculo "Betty Blue Eyes" (sem tradução para o português), que foi elogiado de forma unânime pela crítica e um fracasso de público, ficando apenas seis meses em cartaz.

Neste ano, os teatros também contam com uma desvantagem considerável. Espera-se que os Jogos Olímpicos que serão realizados no final de julho e início de agosto na capital britânica esvaziem as poltronas do West End.

O compositor e produtor musical, Andrew Lloyd Webber, advertiu recentemente que muitos teatros irão fechar nesta época, porque a procura antecipada pelos ingressos é mínima.

O autor do "O Fantasma da Ópera" chamou de "sangria" o efeito das Olimpíadas, e revelou que a venda das entradas caiu 90% para os meses de julhos e agosto em relação ao ano anterior.

Em tempos tão incertos, os empresários estão apostando em valores mais seguros, e por isso, nomes como a famosa dupla de compositores de musicais da Broadway, Richard Rogers e Oscar Hammerstein, podem ser vistos novamente em cartaz.

Três de suas obras mais populares "Carrossel", "Ao sul do Pacífico" e "O rei e eu" serão exibidas no West End londrino ou estão em turnê pelo país.

Talvez seja pela crise, devido ao desejo de fuga, ou pelo ânimo dos turistas, mas o certo é que os musicais, clássicos ou novos, vivem um de seus melhores momentos no Reino Unido.

A especialista teatral da "BBC", Rebecca Jones, explica que os musicais estão experimentando um sucesso nunca antes visto e que o apetite do público pelos espetáculos é "insaciável".

"Nunca houve tanto procura por teatro em Londres", considera a jornalista enquanto os vestidos de festa, cartolas e os sapatos de verniz são desempoeirados nos camarins britânicos.

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